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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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SEGURANÇA

PF diz que cobrança de internet superou 40% da arrecadação do CV na Penha

PF afirma que cobrança por internet superou 40% da arrecadação do Comando Vermelho na Penha em um mês.

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A cobrança pelo serviço de internet teria representado mais de 40% da arrecadação do Comando Vermelho no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, em um único mês, segundo registros financeiros analisados pela Polícia Federal. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (19), durante a Operação Backbone.

A operação investiga um esquema que, de acordo com a PF, restringia a concorrência e obrigava moradores e comerciantes a contratar provedores autorizados pela facção. Empresas que atuavam nas comunidades pagariam uma tarifa mensal ao grupo criminoso pelo direito de operar na região.

Segundo as investigações, traficantes cortavam cabos, incendiavam caixas de distribuição e impediam reparos de operadoras regulares. A PF afirma que a estrutura alcançava os complexos da Penha, do Alemão e do Chapadão.

Foram expedidos 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão em municípios do estado do Rio de Janeiro, incluindo a capital, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. Pelo menos 20 prisões haviam sido cumpridas, entre elas as de Márcia Gama Nepomuceno e Lucas Santos Nepomuceno, mãe e irmão do rapper Oruam.

Também foi preso o vereador do Rio de Janeiro Fabio Silva, do Podemos, localizado em Londrina (PR), conforme a PF. Um mandado foi cumprido contra Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, pai de Oruam, que já está preso.

A Justiça determinou ainda o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores de 40 pessoas físicas e 42 empresas. A medida alcança provedores de internet, produtoras de eventos, empresas de contabilidade e empresas apontadas pela investigação como usadas para ocultar recursos.

A PF sustenta que os valores obtidos com a exploração dos serviços eram movimentados por empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem. Ainda segundo o órgão, parte do dinheiro era dissimulada em negócios de eventos e publicidade, imóveis e criptoativos.

Os investigados podem responder por domínio social estruturado, extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça.

A Agência Nacional de Telecomunicações deverá ser oficiada para avaliar a cassação das outorgas e a interdição dos provedores investigados, com medidas destinadas a manter o serviço aos moradores das áreas afetadas.

Em abril, Márcia, Lucas e Oruam também foram alvos da Operação Contenção, da Polícia Civil do Rio, que apurava suspeitas de lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho. Em maio, o Ministério Público do Rio denunciou Márcio, Márcia, Oruam e outras nove pessoas por organização criminosa e lavagem de dinheiro, segundo as informações divulgadas na reportagem.

Fonte: g1

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