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terça-feira, 20 de outubro de 2026

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SEGURANÇA

Moradores relatam controle do tráfico sobre internet em comunidades do RJ

Moradores do RJ relatam que facções impedem operadoras regulares e impõem provedores de internet ligados ao crime organizado.

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Moradores de bairros do Rio de Janeiro e da Região Metropolitana afirmam que facções criminosas controlam a oferta de internet em comunidades e impedem a atuação de operadoras regularizadas. Segundo investigações da Polícia Federal, cabos são cortados e caixas de distribuição são incendiadas para forçar moradores e comerciantes a contratar provedores autorizados pelos grupos.

Os relatos foram apresentados em reportagem do RJ1. Pessoas ouvidas sob anonimato disseram que enfrentam interrupções no serviço, cobranças por instalação, troca de equipamentos e manutenção, além de não conseguirem contratar empresas concorrentes por medo de represálias.

No Engenho da Rainha, na Zona Norte do Rio, um comerciante afirmou que operadoras como Claro deixaram de atuar na região após cortes de cabos e obstáculos à manutenção. Segundo ele, moradores passaram a depender da Oliver Net, apontada nos relatos como um serviço ligado ao tráfico, que estava sem funcionar havia mais de um mês.

Em Benfica, também na Zona Norte, os pacotes mencionados variam de R$ 104 a R$ 154, conforme a velocidade, com multa de R$ 20 para pagamentos em atraso. Em Itaboraí, moradores dos bairros São Joaquim e Três Pontes relataram ter passado a pagar cerca de R$ 120 por um serviço que antes custava R$ 70.

De acordo com a investigação da PF, empresas autorizadas pelos criminosos pagariam uma taxa mensal para operar nas áreas dominadas. A corporação afirma que grupos cortavam cabos de concorrentes, queimavam estruturas de distribuição e impediam equipes técnicas de fazer reparos.

Na segunda-feira (19), a PF realizou uma operação contra o esquema em comunidades como os complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. A ação terminou com 20 prisões, entre elas as de Márcia Gama Nepomuceno e Lucas Nepomuceno; também foi cumprido mandado contra Marcinho VP, que já está preso em uma penitenciária federal, e o vereador Fábio Silva (Podemos) foi detido em Londrina, no Paraná, segundo a corporação.

Na terça-feira (20), a Polícia Militar fez uma operação na Vila Kennedy, na Zona Oeste, para combater o tráfico, o roubo de veículos e a exploração irregular do serviço de internet. Cinco pessoas foram presas, e os policiais apreenderam dois fuzis e drogas, conforme informado na reportagem.

A Conexis Brasil, entidade que representa empresas de telecomunicações, afirmou que o bloqueio da entrada de equipes técnicas dificulta a instalação e a manutenção dos serviços, além de colocar profissionais em risco. A entidade defendeu ações integradas de segurança pública.

A Polícia Militar disse que realiza policiamento nas regiões citadas e orientou vítimas a registrar ocorrências. A Polícia Civil informou que investiga organizações criminosas e milícias que tentam impor monopólios ilegais e que trabalha para identificar as estruturas financeiras, operacionais e as lideranças dos grupos.

Fonte: g1

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