Moradores de comunidades do Rio de Janeiro e da Região Metropolitana relatam que facções criminosas controlam a oferta de internet e impedem a atuação de operadoras regulares. As denúncias fazem parte das investigações da Polícia Federal que resultaram na Operação Backbone, realizada na segunda-feira (19).
Segundo a PF, criminosos cortavam cabos, incendiavam caixas de distribuição e dificultavam o trabalho de equipes técnicas para forçar moradores e comerciantes a contratar provedores autorizados pela organização criminosa. A investigação também apura o pagamento de taxas mensais por empresas que operariam nessas áreas.
No Engenho da Rainha, na Zona Norte do Rio, um comerciante afirmou ao RJ1 que operadoras como Claro foram afastadas após sucessivos cortes de cabos e impedimentos à manutenção. Segundo ele, moradores passaram a depender de um provedor chamado Oliver Net, que ficou sem funcionar por mais de um mês.
Em Benfica, também na Zona Norte, moradores relataram pacotes entre R$ 104 e R$ 154, conforme a velocidade contratada, além de multa de R$ 20 para pagamentos em atraso. Em Itaboraí, moradores dos bairros São Joaquim e Três Pontes disseram que passaram a pagar R$ 120 por um serviço que antes custava cerca de R$ 70.
A Polícia Federal prendeu 20 pessoas na operação realizada na segunda-feira em áreas como os complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. Entre os presos estão Márcia Gama Nepomuceno, mãe do rapper Oruam; Lucas Nepomuceno, irmão do artista; e o vereador Fábio Silva (Podemos), detido em Londrina (PR). A ação também cumpriu mandado contra Marcinho VP, apontado pela polícia como liderança do Comando Vermelho e que já está preso em uma penitenciária federal.
Nesta terça-feira (20), uma operação da Polícia Militar na Vila Kennedy, na Zona Oeste, também teve como alvo a exploração irregular do serviço de internet. Cinco pessoas foram presas, e os policiais apreenderam dois fuzis e drogas, segundo a corporação.
A Conexis Brasil, entidade que representa empresas de telecomunicações, afirmou que o bloqueio à entrada de equipes técnicas dificulta instalações e reparos e expõe os profissionais a riscos. As polícias Militar e Civil orientaram moradores e empresas a registrar ocorrências e disseram atuar contra o monopólio ilegal e a extorsão relacionados aos serviços de internet.
Fonte: g1