O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva antecipou, em 20 de outubro, os pagamentos do Bolsa Família previstos para este mês. Com a mudança, todos os beneficiários receberão o benefício até 21 de outubro, antes do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
A medida repete uma decisão adotada pelo então presidente Jair Bolsonaro em 2022, quando o calendário do Auxílio Brasil foi antecipado para terminar cinco dias antes do segundo turno. Naquele ano, Bolsonaro chegou à segunda etapa em desvantagem em relação a Lula; agora, o atual presidente também parte atrás, segundo os resultados informados no primeiro turno.
Em 2022, os pagamentos ocorreram entre 11 e 25 de outubro, embora o calendário original previsse repasses de 18 a 31 daquele mês. O benefício mínimo era de R$ 600, após ser elevado de R$ 400 pela chamada PEC Eleitoral, com validade até dezembro.
No governo Lula, o programa voltou a se chamar Bolsa Família e passou a ser administrado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). O pagamento de outubro é o primeiro com o reajuste de 15% anunciado em setembro, que elevou o valor mínimo para R$ 691; a antecipação também valerá para novembro e dezembro.
O governo justificou a antecipação como uma ação preventiva para reduzir os efeitos do super El Niño sobre famílias vulneráveis. Segundo o MDS, o país registrou 518 situações de emergência e calamidade pública entre agosto e setembro, principalmente em razão de chuvas fortes no Sul.
Em outubro de 2022, o governo Bolsonaro também anunciou a inclusão de cerca de 500 mil famílias no programa, que passou a atender mais de 21 milhões. No mesmo mês, foi liberado o empréstimo consignado com desconto nas parcelas do Auxílio Brasil, modalidade criticada por especialistas pelo risco de superendividamento; a Caixa suspendeu as contratações em janeiro de 2023 e encerrou posteriormente a oferta após estudos técnicos.
Fonte: O Globo