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terça-feira, 20 de outubro de 2026

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SEGURANÇA

Internet do tráfico gerava mais de 40% da arrecadação do CV na Penha, diz PF

Segundo a PF, a cobrança por internet controlada pelo CV superou 40% da arrecadação da facção na Penha em um único mês.

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A cobrança pelo serviço de internet controlado pelo Comando Vermelho (CV) representou mais de 40% da arrecadação da facção no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, em um único mês, segundo a Polícia Federal. A informação consta da investigação que levou à Operação Backbone, deflagrada nesta segunda-feira (19).

A ação prendeu pelo menos 20 pessoas, entre elas Márcia Gama Nepomuceno e Lucas Santos Nepomuceno, mãe e irmão do rapper Oruam. Também foi preso o vereador do Rio de Janeiro Fabio Silva (Podemos), localizado em Londrina (PR), segundo a PF.

Ao todo, a operação cumpriu 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. As ordens foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A PF afirma que traficantes cortavam cabos e incendiavam caixas de distribuição de operadoras regulares, além de impedir reparos, para obrigar moradores e comerciantes a contratar provedores autorizados pela facção. As empresas, de acordo com a investigação, pagavam mensalmente uma tarifa ao grupo criminoso para atuar nas áreas dominadas.

O esquema teria atingido os complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. Segundo a polícia, os provedores também eram usados para lavar dinheiro do CV, com recursos direcionados a empresas arrecadadoras, contas de passagem, produtoras de eventos, firmas de publicidade, imóveis e criptoativos.

A operação determinou ainda o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores de 40 pessoas físicas e 42 empresas. A medida alcança provedores de internet, produtoras de eventos, empresas de contabilidade e companhias apontadas como de fachada.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deverá ser comunicada para avaliar a cassação das outorgas e a interdição dos provedores investigados. A PF informou que devem ser adotadas medidas para assegurar a continuidade do serviço aos moradores das regiões afetadas.

Os investigados são apurados por crimes como domínio social estruturado, extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça.

Também foi cumprido um mandado contra Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, que já está preso. A PF sustenta que ele continuava controlando atividades empresariais nos territórios investigados com apoio de familiares e outras lideranças, mas a responsabilidade criminal dos citados dependerá do andamento do processo.

Fonte: g1

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