O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, anunciou nesta terça-feira (20) que os toques de recolher serão prorrogados nas cidades onde a situação exigir, após as restrições ajudarem a conter a violência na noite anterior.
As medidas foram adotadas depois de protestos contra o alto custo de vida terminarem com mais de 3 mil lojas saqueadas e 2,5 mil pessoas detidas, segundo as autoridades francesas.
As restrições noturnas foram implementadas em áreas de Paris, Marselha e Lyon. Nice, Lille, Denain e Douai também adotaram medidas semelhantes para menores de idade em alguns bairros.
Em Paris, o toque de recolher foi acompanhado pela proibição de reuniões públicas não autorizadas. Em Nice, as autoridades informaram que a medida permanecerá em vigor até domingo; em Marselha, o prefeito Benoît Payan confirmou a extensão da restrição para menores em áreas do centro até a noite desta terça-feira.
Os episódios de violência começaram no sábado, quando manifestações lideradas por estudantes e apoiadas por sindicatos se fragmentaram em grupos envolvidos em saques e depredações. Além dos estabelecimentos comerciais, prédios públicos também foram atacados.
Lecornu afirmou que o governo ainda poderá decretar estado de emergência. Na Assembleia Nacional, ele acusou, sem apresentar provas, grupos de ultraesquerda de terem planejado uma insurreição.
O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, disse que mais de 700 pessoas devem ser julgadas nos próximos dias. Segundo ele, 123 pessoas estavam presas, de forma preventiva ou por mandados judiciais, e cerca de 50 investigações criminais estavam em andamento.
Um homem de 34 anos, identificado pela polícia como integrante da ultraesquerda, foi preso sob suspeita de envolvimento no incêndio que destruiu a sede da prefeitura de Limoges. O Ministério Público investiga o caso como destruição de patrimônio cometida por grupo organizado.
O presidente Emmanuel Macron reconheceu na segunda-feira que houve falhas na atuação policial durante os tumultos. Os prefeitos de Paris, Marselha e Lyon pediram uma investigação independente sobre a resposta das forças de segurança.
O governo anunciou ainda que plataformas de revenda vão cooperar com as autoridades para identificar compradores e vendedores de mercadorias roubadas. As empresas deverão intensificar a moderação de anúncios e monitorar preços considerados anormalmente baixos.
Fonte: O Globo