Dados vinculados ao sistema de câmeras Smart Sampa ficaram expostos na internet por cerca de 11 meses, segundo reportagem do UOL, e permitiram acesso indevido a imagens de mais de 58 mil câmeras. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta terça-feira (20) que não houve invasão ou hackeamento da plataforma.
Segundo Nunes, o acesso ocorreu por meio de senhas que teriam sido disponibilizadas ilegalmente por um funcionário concursado da Prefeitura. O prefeito disse que o servidor, que trabalhava em uma área responsável pela manutenção de credenciais, foi demitido após a divulgação do caso, e que a corregedoria investiga como as senhas foram armazenadas e utilizadas.
Nunes afirmou ainda que a administração municipal já monitorava possíveis acessos irregulares e que não havia registro de uso indevido das imagens. Ele classificou o sistema como “absolutamente seguro” e disse que a prefeitura pretende ampliar os mecanismos de controle, incluindo o cadastro de biometria facial para servidores autorizados.
O Smart Sampa foi lançado em 2024 e reúne imagens de câmeras públicas e privadas em uma central de monitoramento. A plataforma usa inteligência artificial para auxiliar na identificação de pessoas procuradas pela Justiça, desaparecidos e veículos com restrições. O programa tem custo mensal estimado em R$ 10 milhões.
A segurança e a eficácia do sistema já foram questionadas por pesquisadores. Estudo do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) concluiu que, entre março de 2024 e abril de 2025, a instalação das câmeras não produziu redução estatisticamente significativa em furtos, roubos e homicídios na capital. A Prefeitura de São Paulo contestou a metodologia e as conclusões do levantamento.
Fonte: g1