O Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU anunciou em 20 de outubro de 2026 que reduzirá as operações na Faixa de Gaza por falta de financiamento, deixando cerca de 500 mil palestinos sem assistência alimentar mensal.
Segundo a agência, quase 1,4 milhão de pessoas, cerca de dois terços da população do enclave, enfrentam níveis críticos de insegurança alimentar. Outras 200 mil estão em situação de emergência, um estágio abaixo da fome generalizada.
O PMA reduzirá o número de beneficiários de 1,5 milhão a 1,8 milhão para 1,1 milhão por mês. A agência também cortará pela metade os pacotes de alimentos distribuídos às famílias e diminuirá de 250 mil para 150 mil o número de refeições quentes servidas diariamente.
A assistência financeira destinada a 75 mil famílias também será reduzida. O benefício mensal passará de 1.250 para 750 shekels, segundo o programa.
Shaun Hughes, diretor do PMA para os territórios palestinos, afirmou que os cortes são necessários para prolongar a duração dos recursos disponíveis. Segundo ele, a redução ocorre por falta de financiamento, e não por restrições ao acesso humanitário para a distribuição de alimentos.
O PMA informou que precisa de quase US$ 450 milhões nos próximos seis meses para manter e restabelecer programas essenciais em Gaza e na Cisjordânia. Em 2026, a agência recebeu metade do financiamento habitual destinado aos territórios palestinos.
De acordo com a ONU, os avanços na segurança alimentar obtidos após o cessar-fogo entre Israel e o Hamas permanecem frágeis. A organização deixou de classificar Gaza como território em situação de fome em dezembro, após o aumento das remessas de ajuda humanitária.
Uma pesquisa recente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) apontou que uma em cada oito crianças de Gaza sofre de desnutrição crônica ou apresenta atraso no crescimento. A agência informou que parte delas pode ter sofrido danos permanentes devido à privação alimentar prolongada.
Fonte: O Globo