O Conselho de Supervisão da Meta afirmou nesta terça-feira (20) que a empresa apresenta falhas recorrentes na aplicação das regras de moderação durante períodos eleitorais e cobrou mais transparência sobre a eficácia de seus mecanismos.
Em comunicado, o órgão citou restrições técnicas que atingiram contas do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva e de apoiadores no Brasil. Segundo o conselho, os problemas deram origem a acusações de interferência eleitoral, mas a manifestação não afirmou que houve interferência comprovada no país.
O conselho apontou dois riscos principais: a aplicação excessivamente rigorosa das regras, que pode suprimir manifestações políticas, e a aplicação insuficiente, que pode comprometer a integridade eleitoral. O órgão defendeu que a Meta divulgue critérios e indicadores capazes de medir publicamente a efetividade da moderação.
A declaração foi divulgada no mesmo dia em que a Meta respondeu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre medidas para garantir tratamento igual às candidaturas e aos anúncios eleitorais no segundo turno. A empresa afirmou ter cumprido as determinações judiciais e reconheceu que podem ocorrer erros, como o bloqueio indevido de anúncios autorizados.
O TSE havia determinado que a Meta não reduzisse a distribuição, restringisse recomendações ou limitasse buscas relacionadas a conteúdos político-eleitorais de qualquer uma das candidaturas. A ordem também estabeleceu critérios idênticos para o funcionamento da Meta AI em relação aos dois candidatos.
A discussão começou após as campanhas de Lula e do senador Flávio Bolsonaro alegarem prejuízos na distribuição de conteúdos nas plataformas da empresa. O Conselho de Supervisão também alertou que remoções indevidas antes de uma eleição podem desestimular a participação política e recomendou que os sistemas automatizados considerem idioma, contexto e nuances locais.
Fonte: g1