O Comitê de Supervisão de Conteúdo da Meta afirmou nesta terça-feira (20) que a empresa falhou em manter transparência suficiente para afastar suspeitas de interferência nas eleições presidenciais de 2022, disputadas por Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
Segundo o órgão independente, problemas que afetaram a produção e a distribuição de conteúdos ligados a Lula deveriam ter sido encaminhados a uma equipe interna especializada. O comitê também cobrou métricas públicas capazes de medir a eficácia das medidas adotadas pela empresa para proteger a integridade eleitoral.
O documento afirma que falhas de moderação em períodos eleitorais podem ocorrer tanto por excesso, restringindo a expressão política, quanto por insuficiência, comprometendo a integridade do pleito. Na avaliação apresentada, o caso brasileiro se enquadra no primeiro tipo.
O comitê também citou a remoção de publicações do movimento “No Kings”, nos Estados Unidos, e afirmou que a Meta ainda precisa cumprir o compromisso assumido em 2025 de ampliar a liberdade de expressão e reduzir erros em eleições e debates políticos.
Na segunda-feira (19), manifestantes e apoiadores de Lula protestaram em frente à sede da Meta, em São Paulo. A mobilização ocorreu no mesmo dia em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu 24 horas para a empresa comprovar o cumprimento de uma decisão sobre isonomia na distribuição de conteúdos políticos e na veiculação de anúncios eleitorais no segundo turno.
A Meta reconheceu na sexta-feira (16) falhas que afetaram conteúdos relacionados a Lula, mas negou favorecimento político e pediu o arquivamento de uma representação no TSE. A empresa atribuiu o problema a uma falha técnica global e afirmou que a distribuição dos conteúdos do então candidato ficou acima do padrão naquele dia.
Um estudo da Universidade Federal do Paraná analisou oito incidentes envolvendo plataformas digitais durante a eleição e identificou efeitos em prejuízo à campanha de Lula ou a conteúdos críticos a Flávio Bolsonaro em seis deles. Os pesquisadores disseram, porém, que os dados públicos não permitem afirmar que houve interferência deliberada das empresas.
Fonte: O Globo