Cerca de 200 cientistas participam, ao longo de outubro, de uma expedição para monitorar e apoiar a conservação da biodiversidade no arquipélago português da Madeira.
Na região das Ilhas Desertas, pesquisadores usam câmeras subaquáticas, sensores de temperatura e análises de DNA ambiental para identificar espécies e avaliar os efeitos da proteção marinha e das mudanças climáticas.
O engenheiro colombiano Juan Mayorga, do programa Pristine Seas, compara imagens coletadas entre 40 e 50 metros de profundidade em áreas com diferentes níveis de proteção. No sul das Ilhas Desertas, a proteção é integral; no norte, ainda é permitida uma modalidade de pesca.
A expedição tem como embarcação principal o veleiro Santa Maria Manuela, de quatro mastros e 70 metros de comprimento, e reúne cerca de 15 embarcações. As Ilhas Desertas, a aproximadamente 40 quilômetros da ilha da Madeira, são a primeira parada da missão.
Pesquisadores também instalam sensores nas rochas expostas durante a maré baixa para estudar crustáceos e esponjas em áreas ensolaradas e sombreadas. Segundo Rui Seabra, da Universidade do Porto, os dados ajudam a entender como a biodiversidade pode se adaptar à evolução das temperaturas.
A expedição é liderada por Emanuel Gonçalves, diretor científico da Fundação Oceano Azul, financiada pelo Oceanário de Lisboa. Ele afirmou à AFP que conferências internacionais são importantes para definir agendas, mas que a urgência ambiental exige ações locais.
Fonte: O Globo