Cerca de 200 cientistas participam, durante outubro de 2026, de uma expedição de monitoramento e conservação no arquipélago português da Madeira, em frente à costa do Marrocos. As ações incluem o estudo de espécies marinhas e dos efeitos das mudanças climáticas.
Nas Ilhas Desertas, o engenheiro colombiano Juan Mayorga coleta e analisa imagens feitas entre 40 e 50 metros de profundidade por câmeras instaladas em estruturas com iscas para atrair peixes. Ele compara os registros da área marinha integralmente protegida, no sul, com os de uma região ao norte onde ainda é permitida uma modalidade de pesca.
A expedição tem como embarcação principal o veleiro Santa Maria Manuela, de quatro mastros e 70 metros de comprimento. Ao todo, cerca de 15 embarcações participam da operação, cuja primeira parada foi o conjunto de três ilhotas desabitadas localizado a aproximadamente 40 quilômetros da ilha da Madeira.
O pesquisador Rui Seabra, da Universidade do Porto, instalou sensores de temperatura nas rochas expostas durante a maré baixa. O objetivo é avaliar as condições de crustáceos e esponjas em áreas ensolaradas e sombreadas e entender como a biodiversidade poderá se adaptar ao aumento das temperaturas.
Também são coletadas amostras de DNA ambiental para identificar peixes que não aparecem nas imagens das câmeras. Segundo Emanuel Gonçalves, diretor científico da Fundação Oceano Azul e responsável pela expedição, a iniciativa busca encontrar soluções diretamente nos locais afetados.
As ações de conservação marinha na Madeira remontam ao início da década de 1970. Enquanto a expedição ocorre, representantes de cerca de 200 países se reúnem na Armênia, a partir de 19 de outubro, para discutir a proteção da biodiversidade mundial na COP17.
Fonte: O Globo