Um tribunal do Quênia declarou culpados nesta segunda-feira (19) o autoproclamado pastor Paul Nthenge Mackenzie e outros 28 réus pela morte de 191 fiéis, sendo 190 crianças e um adulto, na floresta de Shakahola, nos arredores de Malindi.
A decisão foi anunciada por um juiz em Mombaça, na costa do país. Mackenzie e os demais acusados haviam se declarado inocentes das 191 acusações de homicídio em 2024.
Segundo a promotoria, Mackenzie incentivou seguidores a jejuar até a morte para “conhecer a Jesus”. A acusação afirma que havia uma “hierarquia estruturada de morte”, na qual crianças morreriam primeiro, seguidas por adolescentes, mulheres e homens.
Autópsias indicaram que a maioria das vítimas morreu de fome. Outras, incluindo crianças, teriam sido estranguladas, espancadas ou asfixiadas.
O caso veio à tona em abril de 2023, quando seguidores foram resgatados após uma denúncia feita por um grupo de defesa dos direitos humanos. A operação policial revelou centenas de valas comuns no complexo de 325 hectares onde Mackenzie pregava.
Desde então, mais corpos foram encontrados na região. A Comissão Nacional de Direitos Humanos do Quênia informou, em 2024, que o número de mortos chegava a 429, e algumas vítimas ainda não foram identificadas.
Familiares das vítimas acompanharam a audiência em Mombaça. Francis Wanje, de 62 anos, disse ter perdido oito pessoas da família, entre elas uma filha e dois netos, e afirmou esperar uma sentença que sirva de lição para a sociedade.
Mackenzie também responde a processos distintos por acusações de terrorismo e homicídio culposo. Em janeiro, ele foi acusado pelo achado de outros 52 cadáveres em uma aldeia próxima.
O ex-taxista fundou em 2003 a Igreja Internacional das Boas Notícias, que manteve filiais em Nairóbi e na costa do Quênia. Ele foi detido em 2017 por acusações de radicalização, absolvido e preso novamente em 2019, após a morte de duas crianças em Shakahola, mas acabou liberado sob fiança.
Fonte: O Globo