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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

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Jornal Diário do Povo

SEGURANÇA

Três pessoas em surto morrem durante abordagens da PM em menos de duas semanas

Três pessoas em surto morreram durante abordagens da PM em São Paulo, reacendendo o debate sobre protocolos para crises psiquiátricas.

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Três pessoas que apresentavam sinais de surto morreram durante abordagens da Polícia Militar em São Paulo nas últimas semanas. Os casos de Gustavo Muniz de Santana, de 20 anos, Antônio Nunes Batista, de 40, e Camila Pereira da Silva, de 32, levaram familiares e especialistas a questionar o uso de força letal em ocorrências de crise psiquiátrica.

Gustavo morreu no dia 10, durante uma ocorrência inicialmente registrada como tentativa de suicídio. Segundo as informações reunidas pela investigação, o estudante não portava arma de fogo e segurava um celular quando foi atingido por disparos de quatro policiais. Os agentes efetuaram 45 tiros em menos de cinco segundos, e o jovem morreu com 27 perfurações.

Os quatro policiais foram afastados das ruas e podem responder por homicídio. A mãe de Gustavo afirmou que ele já havia feito tratamento para ansiedade, mas nunca tinha tentado tirar a própria vida.

Antônio foi morto durante um patrulhamento na Zona Norte de São Paulo. De acordo com o boletim de ocorrência, ele carregava uma faca e uma barra de ferro. Os policiais disseram que utilizaram uma arma de choque antes dos disparos, mas Antônio acabou atingido por 24 tiros.

Familiares relataram que Antônio tinha histórico de problemas psiquiátricos e apresentava sinais de esquizofrenia desde a juventude, agravados pelo uso de drogas. Para a família, a intervenção poderia ter empregado outras alternativas para conter o homem sem provocar sua morte.

Camila foi morta em outro episódio, enquanto perseguia o ex-companheiro com uma faca, segundo a investigação. Um policial disparou quando ela não obedeceu às ordens para parar, e o tiro atingiu o peito da mulher.

O delegado responsável pelo caso considerou que houve uso desproporcional da força e determinou a prisão do agente. Posteriormente, a Justiça concedeu liberdade provisória ao policial.

Especialistas em saúde mental defendem que ocorrências envolvendo pessoas em surto tenham participação conjunta de policiais, profissionais de saúde e assistência social. O diálogo pode ser mais difícil durante uma crise, e a avaliação especializada pode ajudar a reduzir o risco de desfechos fatais.

As normas de uso diferenciado da força estabelecem que a resposta policial deve ser proporcional à ameaça. Negociação, contenção física, escudos, spray de pimenta, balas de borracha e armas de choque são alternativas que devem ser consideradas antes da arma de fogo, tratada como último recurso.

O Rio Grande do Sul adotou um modelo em que equipes de segurança e saúde são acionadas conjuntamente quando há suspeita de crise psiquiátrica. Segundo a Brigada Militar, não houve fatalidades desse tipo após a implantação do protocolo.

Após os casos em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas afirmou que a Polícia Militar revisará procedimentos e treinamentos. A Secretaria da Segurança Pública informou que as diretrizes da corporação priorizam a preservação da vida, a abordagem humanizada e o acionamento de apoio especializado quando necessário.

Fonte: Fantástico

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