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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

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Palhaços Sem Fronteiras leva arte a crianças em zonas de crise

Podcast do Palhaços Sem Fronteiras aborda violência e crise climática e mostra como artistas levam brincadeiras a crianças em áreas de crise.

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O grupo Palhaços Sem Fronteiras estreou em outubro de 2026 o podcast “Pão de Cast”, que aborda temas como violência e crise climática para crianças de diferentes idades. O primeiro episódio conta a história de um encontro entre um artista e uma criança no Sudão do Sul, onde a comunicação começou sem palavras.

Durante uma apresentação para cerca de 7 mil crianças, o palhaço brasileiro Arthur Toyoshima, conhecido como João Pierre, viu uma criança do outro lado de um muro de metal. Sem falar a língua local, ele colocou o dedo mindinho por um furo na estrutura. A criança voltou, repetiu o gesto e os dois iniciaram uma brincadeira que os artistas batizaram de “mindirim”.

Toyoshima é fundador e diretor financeiro do Palhaços Sem Fronteiras Brasil e divide a narração do podcast com Aline Moreno, a palhaça Donatella e diretora executiva da organização. Em 2026, o núcleo brasileiro completa dez anos de atuação voluntária em territórios afetados por crises humanitárias.

Com cerca de 80 artistas profissionais, a rede brasileira já realizou oficinas, espetáculos e ações de formação em dez estados. O trabalho tem como foco garantir às crianças oportunidades de brincar e sorrir mesmo em situações de conflito, catástrofe climática ou colapso social.

A organização internacional surgiu em 1993, depois que crianças refugiadas da ex-Iugoslávia pediram a artistas que levassem alegria a um acampamento em meio à guerra. O pedido levou o artista catalão Tortell Poltrona a viajar até o local, experiência que deu origem ao projeto. Atualmente, a rede está presente em 14 países.

No Brasil, a organização foi fundada por Toyoshima e Aline Moreno após uma missão independente realizada em 2014 nos acampamentos de refugiados saarauís, na Argélia. A atuação brasileira começou dois anos depois, tornando o país o primeiro da América Latina a integrar a federação internacional.

Segundo os artistas, as apresentações não pretendem resolver problemas estruturais, mas podem aliviar o estresse coletivo em comunidades afetadas por traumas. Aline cita intervenções em áreas de São Paulo atingidas por violência e em comunidades do Espírito Santo afetadas pelo rompimento da barragem de Fundão, onde atividades com música e brincadeiras reuniram moradores.

Fonte: O Globo

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