Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Ferrara, na Itália, usaram escaneamento 3D a laser para monitorar a estrutura do Museu do Ipiranga, na Zona Sul de São Paulo. O levantamento foi realizado entre setembro e outubro, após a reforma que manteve o edifício fechado por nove anos.
O equipamento portátil emite raios laser e registra, com precisão de milímetros, as coordenadas de paredes, pisos e fachadas. A tecnologia permite identificar desníveis, variações de umidade e sinais de mofo que podem não ser percebidos em medições tradicionais.
O trabalho durou três semanas e foi feito de forma gradual para não interferir no funcionamento do museu. Áreas maiores, como o Salão Nobre, foram escaneadas às segundas-feiras, quando não há visitação.
A equipe italiana já havia feito um levantamento do prédio entre 2017 e 2018, antes da restauração. A comparação entre os dois registros permite avaliar alterações na estrutura e acompanhar o comportamento da construção ao longo do tempo.
Os dados serão usados na criação de um modelo digital do museu, chamado de “gêmeo digital”. A ferramenta, baseada na Modelagem de Informação da Construção Histórica (HBIM), reúne informações físicas e registros de manutenção para apoiar ações de preservação preventiva.
Segundo os pesquisadores, o modelo também poderá auxiliar na simulação de impactos provocados por eventos climáticos extremos, como temporais mais intensos e períodos de calor. A proposta é identificar problemas antecipadamente e reduzir a necessidade de intervenções maiores no patrimônio.
A tecnologia já foi aplicada pela equipe no Coliseu de Roma, na Itália. No monumento, o escaneamento documentou diferentes intervenções realizadas ao longo de milhares de anos.
Construído entre 1885 e 1890 e inaugurado em 7 de setembro de 1895, o Museu do Ipiranga é o museu público mais antigo da capital paulista. O edifício é tombado nas esferas municipal, estadual e federal e abriga mais de 450 mil itens, entre objetos, fotografias e documentos.
Fonte: g1