Três pessoas que apresentavam sinais de crise psiquiátrica morreram durante abordagens da Polícia Militar em São Paulo em menos de duas semanas, segundo reportagem exibida pelo Fantástico em 19 de outubro. Os casos reacenderam a discussão sobre o preparo das forças de segurança para lidar com ocorrências que envolvem saúde mental.
Familiares das vítimas afirmam que elas precisavam de atendimento médico e acolhimento, e não de uma resposta baseada no uso letal da força. As circunstâncias das mortes são investigadas pelas autoridades, e as versões apresentadas pelas famílias e pelos policiais divergem em parte.
Gustavo Muniz de Santana, de 20 anos, morreu no dia 10 durante uma ocorrência inicialmente registrada como tentativa de suicídio. Conforme informações reunidas pela investigação e divulgadas na reportagem, o estudante não portava arma de fogo, segurava um celular e foi atingido por disparos de quatro policiais, que teriam efetuado 45 tiros em menos de cinco segundos. Os agentes foram afastados das ruas e podem responder por homicídio.
Antônio Nunes Batista, de 40 anos, foi morto durante um patrulhamento na Zona Norte da capital. Segundo o boletim de ocorrência, ele carregava uma faca e uma barra de ferro; os policiais relataram ter usado uma arma de choque antes dos disparos. Antônio foi atingido por 24 tiros, de acordo com a reportagem.
Camila Pereira da Silva, de 32 anos, morreu após ser baleada no peito por um policial na Zona Oeste. Segundo a investigação, ela portava uma faca e perseguia o ex-companheiro quando a equipe foi acionada. O delegado responsável considerou o uso da força desproporcional e determinou a prisão do agente, mas a Justiça concedeu liberdade provisória.
Especialistas ouvidos pelo programa afirmam que crises psiquiátricas exigem estratégias específicas, com negociação e participação de profissionais de saúde e assistência social. Protocolos de uso diferenciado da força estabelecem que recursos como diálogo, contenção, escudos, spray de pimenta, balas de borracha e armas de choque devem ser avaliados antes da arma de fogo, considerada medida extrema.
A reportagem citou o modelo adotado no Rio Grande do Sul após a morte de Eric Cristian da Silva Vargas, em Porto Alegre. No estado, equipes policiais e de saúde passaram a ser acionadas conjuntamente quando há suspeita de crise psiquiátrica; segundo a Brigada Militar, não houve novas fatalidades nesse tipo de atendimento após a mudança.
Após os casos em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas afirmou que a Polícia Militar revisará procedimentos e treinamentos. A Secretaria da Segurança Pública informou que as diretrizes da corporação priorizam a preservação da vida, a abordagem humanizada e o acionamento de apoio especializado quando necessário.
Fonte: g1