O governo do México anunciou nesta segunda-feira (19) que apresentará uma nova denúncia às autoridades dos Estados Unidos após a morte de Emiliano Andrade Covarrubias, de 56 anos, em um centro de processamento migratório do ICE em Laredo, no Texas.
Segundo o jornal El País, a morte elevou para 18 o número de cidadãos mexicanos que morreram sob custódia do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos durante o segundo mandato do presidente Donald Trump.
Na entrevista coletiva diária, a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, disse que Andrade foi detido em junho e sofria de diabetes e hipertensão. Segundo informações repassadas pela família, ele provavelmente não tinha acesso a todos os medicamentos de que precisava.
O deputado Henry Cuéllar afirmou ao The Texas Tribune que Andrade foi encontrado inconsciente por funcionários do Centro de Processamento Rio Grande durante uma inspeção de rotina, no sábado (17), às 10h. O ICE ainda não divulgou informações oficiais sobre o caso.
A Secretaria de Relações Exteriores do México informou que adotou medidas diplomáticas e jurídicas, incluindo o envio de notas ao Departamento de Estado dos EUA, denúncias às autoridades competentes e ações para facilitar o acesso das famílias à assistência jurídica. A chancelaria também solicitou uma investigação rápida, completa e transparente.
Estefani Andrade, filha do migrante, disse que soube da morte pelo escritório do legista do condado de Webb, onde é realizada a autópsia para determinar a causa. Cidadã americana de 29 anos, ela afirmou que a família buscaria os pertences do pai no centro de detenção nesta segunda-feira.
Jazmín Castillo, porta-voz do consulado mexicano em Laredo, declarou que o governo aguarda os resultados da perícia para divulgar mais informações. A morte de Andrade foi a segunda de um migrante em uma instalação do ICE em Laredo neste ano.
Em junho, Félix Alcorta Rodríguez, de 63 anos, também morreu após ser encontrado inconsciente no centro de detenção do condado de Webb. De acordo com o ICE, ele recebeu atendimento emergencial e foi transferido para uma clínica, onde morreu.
Em agosto, o vice-chanceler mexicano Roberto Velasco informou que o país havia apresentado 20 denúncias relacionadas a mortes de migrantes sob custódia das autoridades americanas. Até então, apenas quatro tinham recebido resposta oficial.
Sheinbaum reiterou o apoio jurídico do governo aos mexicanos que vivem nos Estados Unidos e afirmou que o país é contra qualquer forma de racismo que afete seus cidadãos.
Fonte: O Globo