Meredith Whittaker, presidente da Signal Foundation, afirmou em entrevista à BBC que não há evidências científicas de que a inteligência artificial possa se voltar contra a humanidade e disse que o risco mais imediato está no uso irresponsável da tecnologia.
Whittaker classificou como fantasiosas as previsões de um “apocalipse de IA” e criticou sistemas que produzem informações falsas em áreas sensíveis, como inteligência militar. Ela citou um caso noticiado pela CNN em que um chatbot teria inventado dados sobre um navio chinês e contribuído para a preparação de uma resposta militar dos Estados Unidos.
Segundo a executiva, episódios desse tipo mostram que sistemas de IA podem dar aparência de confiabilidade a dados incorretos. Ela também relacionou esse risco ao uso de ferramentas automatizadas em operações militares, embora não haja confirmação pública de que um sistema específico tenha causado o ataque mencionado na entrevista.
Whittaker ganhou notoriedade ao liderar, em 2018, protestos de funcionários do Google contra o Projeto Maven, contrato com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos para desenvolver sistemas capazes de identificar alvos em imagens. Após a mobilização, o Google deixou o acordo, posteriormente assumido pela Palantir.
Na entrevista, a presidente da Signal Foundation também defendeu a criptografia de ponta a ponta e afirmou que o aplicativo deixaria de operar em um país caso fosse obrigado a enfraquecer a proteção das mensagens. Governos, incluindo o do Reino Unido, defendem ampliar o acesso a comunicações privadas como forma de combater crimes contra crianças.
Organizações de defesa dos direitos das mulheres apoiam o uso do Signal em contextos de vigilância estatal e violência de gênero. Entidades de proteção infantil, por outro lado, alertam que criminosos podem usar plataformas criptografadas para aliciar vítimas e compartilhar material de abuso sexual.
Fonte: g1