A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) tenta conter, nesta segunda-feira (19), a repercussão das declarações de sua coordenadora econômica, Daniella Marques, sobre a regra de transição do Bolsa Família. A fala foi explorada por aliados de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a seis dias do segundo turno.
Em entrevista à rádio CBN Salvador, Daniella afirmou que um eventual governo Flávio manteria o benefício por dois anos para pessoas que conseguissem emprego com carteira assinada ou abrissem um negócio. Ela também mencionou a possibilidade de retorno automático ao programa caso a nova fonte de renda não se sustentasse.
Flávio publicou um vídeo para negar que sua proposta estabeleça o fim do Bolsa Família após dois anos. Segundo o candidato, o prazo seria aplicado apenas à transição de famílias que obtivessem outra fonte de renda, sem impedir o retorno ao programa em caso de demissão ou fechamento da empresa.
Atualmente, a regra permite que famílias que ultrapassem a renda mensal por pessoa de R$ 218, critério de acesso ao programa, mas permaneçam abaixo de R$ 706, continuem recebendo metade do benefício por até 18 meses.
Aliados do PL afirmaram que Daniella se expressou mal e não detalhou a medida. A campanha também divulgou uma nota acusando o PT de disseminar informações falsas sobre a proposta.
Aliados de Lula passaram a compartilhar a declaração nas redes sociais e resgataram publicações antigas de Flávio sobre o Bolsa Família. O senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha petista, associou a proposta à promessa do candidato do PL de reduzir despesas públicas e afirmou que os cortes atingiriam programas sociais.
Nos bastidores, integrantes da campanha de Flávio avaliaram que a declaração abriu margem para a interpretação de que o benefício teria duração máxima de dois anos. Daniella gravou posteriormente um vídeo para explicar que o período seria destinado à transição de famílias que passassem a ter outra fonte de renda, e não ao desligamento de todos os beneficiários.
O episódio também gerou críticas internas à exposição da coordenadora econômica e à falta de alinhamento prévio de algumas declarações com o núcleo político da candidatura. A campanha petista pretende continuar explorando o caso e recuperar outras falas antigas de Flávio sobre o programa.
Fonte: O Globo