A economia da Argentina foi tema do primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado na noite de domingo (18), na TV Bandeirantes, entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). No encontro, Lula questionou se o adversário pretendia adotar no Brasil medidas semelhantes às do governo de Javier Milei.
Durante a campanha de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, coordenadora econômica do candidato, citou mais de uma vez o governo argentino como inspiração para propostas de redução de impostos e da burocracia.
Os indicadores mostram que a inflação argentina desacelerou, mas a economia cresce pouco, enquanto o desemprego e a pobreza avançaram. A inflação mensal ficou abaixo de 2% em agosto e setembro, segundo dados do governo, e acumulou 33,4% em 12 meses.
O índice anual ainda é elevado na comparação com o Brasil, mas está distante do pico de 290% registrado na Argentina em 2024. Milei assumiu a Presidência em dezembro daquele ano com a promessa de reduzir a inflação, cortar gastos públicos e implementar um programa de privatizações.
Para conter a alta de preços, o governo adotou câmbio mais valorizado, política monetária restritiva e austeridade fiscal. As medidas reduziram a inflação, mas também limitaram o crescimento econômico, segundo a avaliação apresentada na reportagem.
A economia argentina recuou 0,6% no segundo trimestre de 2026, e economistas projetam nova queda no terceiro trimestre, o que caracterizaria uma recessão técnica. A expectativa é que o país cresça 1,5% no ano, cerca de metade da previsão feita por investidores no início de 2026.
A proporção de argentinos abaixo da linha da pobreza subiu de 28,2% no segundo semestre de 2025 para 32,3% no primeiro semestre de 2026, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). O levantamento abrange 31 aglomerados urbanos e aponta que 9,7 milhões de pessoas estavam nessa situação.
A extrema pobreza também aumentou, de 1,9 milhão de pessoas, ou 6,3% da população pesquisada, para 2,2 milhões, equivalentes a 7,5%. Pelo critério do Indec, são indigentes as pessoas cuja renda não é suficiente para comprar uma cesta de alimentos capaz de atender às necessidades diárias de energia e proteína.
O desemprego chegou a 7,9% no segundo trimestre de 2026, ante 7,6% no mesmo período de 2025. A estimativa é de aproximadamente 1,8 milhão de argentinos desempregados, enquanto quase metade da população economicamente ativa trabalha na informalidade.
A redução do consumo tem afetado empresas locais, que também enfrentam a concorrência de produtos importados. Segundo o Centro de Economia Política Argentina (Cepa), as compras externas de bens de consumo cresceram 34,7% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2023, enquanto a produção industrial caiu 12%.
Dados da União Industrial Argentina e da Confederação Argentina da Média Empresa indicam que custos elevados e o endividamento das famílias também limitam o consumo e o desempenho das empresas.
Fonte: O Globo