A economia da Argentina foi tema do primeiro debate presidencial do segundo turno das eleições de 2026, realizado no domingo (18) pela TV Bandeirantes. O desempenho do país combina inflação em desaceleração com baixo crescimento, aumento do desemprego e avanço da pobreza.
Durante o debate, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionou Flávio Bolsonaro (PL) sobre sua proximidade com o presidente argentino, Javier Milei, e perguntou se o candidato pretendia adotar no Brasil uma política econômica semelhante à do país vizinho.
Na campanha de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, coordenadora econômica do candidato, citou mais de uma vez o governo de Milei como inspiração para medidas de redução de impostos e de burocracia.
A inflação mensal argentina ficou abaixo de 2% em agosto e setembro, na comparação com os meses anteriores. No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 33,4%, segundo dados do governo argentino, abaixo do pico de 290% registrado em 2024, mas ainda em nível elevado.
Milei assumiu a Presidência em dezembro de 2023 com a proposta de reduzir a inflação, cortar gastos públicos e implementar um programa de privatizações. Para conter a alta de preços, o governo adotou câmbio mais valorizado, política monetária restritiva e austeridade fiscal.
As medidas ajudaram a desacelerar a inflação, mas também afetaram o crescimento. A economia argentina recuou 0,6% no segundo trimestre de 2026, e economistas projetam nova queda no terceiro trimestre, o que caracterizaria uma recessão técnica.
A expectativa é que o país registre crescimento de 1,5% em 2026, cerca de metade do percentual projetado por investidores no início do ano.
A proporção de argentinos abaixo da linha da pobreza passou de 28,2% no segundo semestre de 2025 para 32,3% no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). A pesquisa abrange 31 aglomerados urbanos e aponta que 9,7 milhões de pessoas viviam nessa situação, na primeira alta do indicador em dois anos.
A extrema pobreza também aumentou. O número de pessoas nessa condição passou de 1,9 milhão, ou 6,3% da população pesquisada, para 2,2 milhões, equivalentes a 7,5%.
De acordo com o critério do Indec, são consideradas indigentes as pessoas cuja renda não é suficiente para comprar uma cesta de alimentos capaz de suprir as necessidades diárias de energia e proteína.
O desemprego chegou a 7,9% no segundo trimestre de 2026, ante 7,6% no mesmo período de 2025, também segundo o Indec. A estimativa é de aproximadamente 1,8 milhão de argentinos desempregados, enquanto quase metade da população economicamente ativa trabalha na informalidade.
O consumo perdeu força, e empresas enfrentam dificuldades com a concorrência de produtos importados. Segundo o Centro de Economia Política Argentina (Cepa), as compras externas de bens de consumo cresceram 34,7% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2023, enquanto a produção industrial caiu 12%.
Dados da União Industrial Argentina e da Confederação Argentina da Média Empresa indicam que os custos elevados e o endividamento das famílias também limitam o consumo e o desempenho das empresas locais.
Fonte: O Globo