O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem defendido a substituição do termo “inteligência artificial” por “superinteligência” em documentos oficiais americanos e, idealmente, em outros países. A proposta foi apresentada em discurso na Assembleia Geral da ONU, em setembro, e também em enquetes publicadas por Trump na rede Truth Social.
Trump afirmou que a expressão inteligência artificial dá a impressão de que a tecnologia é “falsa”. Em outra declaração, disse que trataria como “inimigo” quem usasse o termo tradicional em vez de “superinteligência”. Até o momento, não foi apresentada uma medida concreta para impor a mudança, nem há indicação de adesão do setor de tecnologia.
Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que a iniciativa tem caráter mais político e publicitário do que técnico. Anderson Soares, fundador e professor do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás, afirmou que o conceito de inteligência ainda não possui uma definição precisa e que a troca do nome não contribui diretamente para o desenvolvimento da tecnologia.
Para Cleber Zanchettin, professor da Universidade Federal de Pernambuco, a fala de Trump na ONU funcionou como uma estratégia de marketing. O pesquisador Allan Pscheidt avaliou que o uso do termo pode representar uma demonstração de poder dos Estados Unidos na disputa tecnológica pela chamada inteligência artificial geral, conhecida pela sigla AGI.
AGI é o conceito de uma inteligência artificial capaz de executar uma ampla variedade de tarefas intelectuais em nível semelhante ou superior ao humano. Segundo os especialistas citados na reportagem, não há comprovação científica de que uma superinteligência já exista.
A expressão “inteligência artificial” foi formalizada nos Estados Unidos em 1955, em pesquisas associadas a John McCarthy, Marvin Minsky, Claude Shannon e Nathaniel Rochester. O campo se desenvolveu a partir de estudos anteriores sobre máquinas capazes de raciocinar, incluindo trabalhos de Alan Turing nas décadas de 1940 e 1950.
O termo passou a abranger tecnologias presentes em serviços como reconhecimento facial, veículos semiautônomos, drones, assistentes virtuais e câmeras de celulares. Desde 2017, a inteligência artificial generativa ampliou a popularização da área com ferramentas capazes de produzir textos, imagens, vídeos e músicas.
Fonte: g1