A rede Starlink, operada pela SpaceX, tornou-se uma infraestrutura estratégica em áreas de guerra e desastres ao fornecer conexão onde cabos e redes terrestres foram destruídos ou não estão disponíveis. Como o serviço depende de uma empresa privada, a ativação ou restrição do acesso pode afetar forças militares, equipes de emergência e organizações humanitárias.
A Starlink utiliza milhares de satélites em órbita baixa, a cerca de 550 quilômetros da Terra, para transmitir dados com latência menor que a de sistemas convencionais de satélite. O usuário precisa de um terminal com antena, que se conecta aos satélites e distribui o sinal por meio de um roteador.
Na Ucrânia, a rede é usada por unidades militares, hospitais, serviços de emergência, empresas de energia e pela ferrovia. A conexão também é empregada na coordenação de drones e de sistemas terrestres não tripulados, segundo a reportagem do g1.
O serviço também aparece em outros conflitos. No Sudão, terminais são usados por grupos armados e circulam por meio de redes de contrabando, enquanto na Faixa de Gaza organizações humanitárias e um hospital de campanha utilizam a conexão para telemedicina e logística, com acesso civil limitado.
O poder da Starlink não significa que Elon Musk possa desligar toda a internet de uma guerra. A empresa, porém, pode restringir ou suspender o funcionamento de terminais em determinadas áreas, o que dá à operadora influência sobre comunicações que passaram a ser essenciais em alguns cenários.
Essa dependência gerou críticas após restrições atribuídas à SpaceX durante operações ucranianas. O episódio alimentou o debate sobre a concentração de uma infraestrutura de comunicação militar e humanitária nas mãos de uma companhia privada.
Também há preocupações ambientais e astronômicas relacionadas ao grande número de satélites, incluindo o brilho no céu noturno e os efeitos da reentrada de equipamentos na atmosfera. Empresas como Eutelsat e Amazon desenvolvem redes concorrentes, enquanto União Europeia e China planejam constelações próprias para reduzir a dependência de um único fornecedor.
Fonte: g1