O embaixador dos Estados Unidos, Andrew Puzder, afirmou ao Financial Times que empresas europeias podem sofrer uma retaliação "muito devastadora" caso a União Europeia avance com restrições a companhias americanas, como a SpaceX, de Elon Musk.
Segundo o jornal britânico, a Comissão Europeia avalia reservar parte das frequências usadas por celulares para conexão direta com satélites a empresas europeias. A medida poderia limitar o acesso de companhias americanas e chinesas que oferecem esse serviço diretamente aos consumidores, incluindo a Starlink.
A proposta recebeu críticas da SpaceX, que alertou para possíveis impactos na conectividade da Ucrânia. O serviço é usado nas comunicações civis e militares do país desde a invasão russa em grande escala, em fevereiro de 2022.
A iniciativa integra os esforços da União Europeia para ampliar sua soberania tecnológica e reduzir a dependência de empresas americanas em setores estratégicos. Autoridades europeias também demonstram preocupação com a dependência de fornecedores estrangeiros em infraestruturas críticas.
Puzder disse reconhecer o direito dos europeus de proteger informações governamentais sensíveis, mas criticou o uso de leis para favorecer empresas locais. Ele também questionou a aplicação da Lei dos Mercados Digitais e afirmou que Estados Unidos e União Europeia deveriam cooperar para competir com a China no desenvolvimento de inteligência artificial.
A Comissão Europeia afirmou, segundo o Financial Times, que a proposta sobre o espectro de frequências busca atrair novos participantes e diversificar os fornecedores, sem excluir operadores de fora do bloco.
Fonte: O Globo