O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defende que o termo “inteligência artificial” seja substituído por “superinteligência” em documentos oficiais americanos e, eventualmente, em outros países. A proposta foi apresentada em discurso na Assembleia Geral da ONU, em setembro, mas não veio acompanhada de um plano para implementá-la.
Antes de escolher “superinteligência”, Trump publicou enquetes na rede Truth Social com alternativas como “inteligência superior”, “inteligência extrema” e “inteligência suprema”. O presidente também afirmou que passaria a considerar inimigo quem usasse “inteligência artificial” em vez do novo termo.
Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que a iniciativa tem caráter mais político e de comunicação do que científico. Para eles, a mudança pode funcionar como uma demonstração de força dos Estados Unidos na disputa pelo desenvolvimento de sistemas avançados de IA, mas não altera a definição técnica da tecnologia.
O conceito de inteligência artificial surgiu formalmente nos Estados Unidos em meados da década de 1950, em pesquisas que reuniam áreas como matemática, engenharia e estatística. O termo é associado ao trabalho de pesquisadores como John McCarthy, Marvin Minsky, Claude Shannon e Nathaniel Rochester.
A IA já é usada em sistemas de reconhecimento facial, carros semiautônomos, drones, assistentes virtuais e câmeras de celulares. Desde 2017, a expansão da inteligência artificial generativa popularizou ferramentas capazes de produzir textos, imagens, vídeos e músicas.
Os pesquisadores também diferenciam a IA atual da chamada inteligência artificial geral, conhecida pela sigla AGI. O conceito descreve sistemas capazes de executar uma ampla variedade de tarefas intelectuais em nível semelhante ou superior ao humano, mas não há comprovação científica de que uma superinteligência desse tipo já exista.
Segundo os especialistas citados na reportagem, o uso da palavra “superinteligência” pode aumentar a percepção de ameaça entre pessoas que ainda têm pouco conhecimento sobre a tecnologia. Pesquisas mencionadas pelo g1 indicam que a preocupação supera a empolgação entre brasileiros e americanos quando o tema é a possibilidade de a IA superar a inteligência humana.
Fonte: g1