Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas da França neste sábado (17 de outubro) para protestar contra o custo de vida, em atos marcados por confrontos com a polícia e que podem representar a retomada do movimento dos coletes amarelos.
Segundo o Ministério do Interior, cerca de 33 mil pessoas participaram de 140 manifestações fora da região de Paris. Ao menos 166 pessoas foram presas em todo o país, e o primeiro-ministro Sébastien Lecornu convocou a célula de crise do governo para acompanhar a mobilização.
Em Paris, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar pessoas encapuzadas e mascaradas que lançavam fogos de artifício e objetos contra agentes na Praça da República. Estações de metrô próximas à Champs-Élysées, ao Palácio do Eliseu e ao Parlamento foram fechadas a pedido das autoridades.
O gabinete do ministro do Interior, Laurent Nuñez, relatou episódios de violência em Paris, Marselha, Rennes, Toulouse e Angers, incluindo tentativas de saque, ataques a policiais, incêndios em mobiliário urbano e ações contra prédios públicos e veículos de imprensa. As autoridades atribuíram os distúrbios ao que classificaram como atuação da ultraesquerda.
Em Marselha, lojas e uma delegacia municipal foram danificadas, e manifestantes entraram brevemente no saguão da prefeitura. Nuñez também autorizou o uso de granadas atordoantes, suspensas durante protestos estudantis após um adolescente de 15 anos perder uma mão.
Convocada sob o lema “Amarelos e Jovens”, a mobilização reúne coletes amarelos, estudantes, agricultores, professores, ativistas climáticos e aposentados. Cerca de 1,5 mil ações foram previstas em todo o país, incluindo passeatas, concentrações em rotatórias e bloqueios em estações, pontes, pedágios e postos de combustível.
Estudantes do ensino médio, que protestam desde o fim de setembro por melhores condições na educação, aderiram aos atos. Na sexta-feira (16), o presidente Emmanuel Macron pediu calma e afirmou que o direito de manifestação deve ser acompanhado de respeito, sem ofensas ou depredação.
A mobilização ocorre a seis meses da eleição presidencial que definirá o sucessor de Macron e enquanto o governo tenta aprovar o orçamento de 2027. A proposta prevê um ajuste fiscal de 54 bilhões de euros para equilibrar as contas públicas.
Nos últimos dias, Lecornu anunciou recursos adicionais para a agricultura, a liberação de 10 milhões de barris de diesel para tentar reduzir os preços e ajuda a cidades rurais. Sindicatos, porém, cobram medidas sobre salários, orçamento e congelamento dos preços dos combustíveis.
Fonte: O Globo