Dezenas de milhares de pessoas protestaram neste sábado (17) contra o aumento do custo de vida em cidades da França, em atos que reuniram coletes amarelos, estudantes, agricultores, professores, ativistas climáticos e aposentados. A mobilização terminou com confrontos com a polícia e pelo menos 166 prisões, segundo o Ministério do Interior.
Convocada sob o lema "Amarelos e Jovens", a mobilização pode marcar o retorno dos coletes amarelos, movimento que ganhou força entre 2018 e 2019. De acordo com o site 17octobregiletjaune.net, cerca de 1,5 mil ações foram previstas, incluindo passeatas, bloqueios e concentrações em rotatórias.
Em Paris, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar pessoas encapuzadas e mascaradas que lançavam fogos de artifício e outros objetos contra os agentes na Praça da República, onde ocorreu o principal ato. Estações de metrô próximas à Champs-Élysées, ao Palácio do Eliseu e ao Parlamento foram fechadas a pedido das autoridades.
O Ministério do Interior informou que cerca de 33 mil pessoas participaram de 140 ações fora da região de Paris. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu convocou a célula de crise do governo para acompanhar os protestos.
O gabinete do ministro do Interior, Laurent Nuñez, relatou episódios de violência em Paris, Marselha, Rennes, Toulouse e Angers, incluindo tentativas de saque, ataques a policiais, incêndios em mobiliário urbano e ações contra prédios públicos e veículos de imprensa. As autoridades atribuíram os distúrbios ao que chamaram de "ultraesquerda".
Em Marselha, lojas e uma delegacia municipal foram danificadas, e manifestantes invadiram brevemente o saguão da prefeitura. O prefeito Benoît Payan classificou os danos como limitados em entrevista à emissora BFM.
Nuñez autorizou o uso de granadas atordoantes, que haviam sido suspensas durante os protestos estudantis depois que um adolescente de 15 anos perdeu uma mão. Estudantes do ensino médio participam de manifestações desde o fim de setembro por melhores condições na educação.
Na sexta-feira, o presidente Emmanuel Macron pediu calma e afirmou que o direito de manifestação deve ser acompanhado de respeito, sem insultos ou depredações. Jovens presentes ao ato em Paris disseram à BBC que são pacifistas e que tentam promover mudanças.
A mobilização ocorre a seis meses da eleição presidencial que escolherá o sucessor de Macron e enquanto o governo tenta aprovar no Parlamento o orçamento de 2027. A proposta prevê um ajuste fiscal de € 54 bilhões, segundo o conteúdo original, enquanto sindicatos cobram medidas sobre salários, preços dos combustíveis e o orçamento.
Nos últimos dias, Lecornu anunciou novos recursos para o setor agrícola em 2027, a liberação de 10 milhões de barris de diesel e ajuda a cidades rurais. Pesquisa do instituto Elabe, realizada em meados de setembro, indicou que dois terços dos franceses apoiariam a volta dos coletes amarelos.
Fonte: O Globo