A prisão preventiva do deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), mantida pela Justiça nesta sexta-feira (16), pode reabrir no Rio de Janeiro a discussão sobre a posse de parlamentares eleitos que permanecem detidos.
Canella foi preso na quinta-feira (15) pela Polícia Federal durante a oitava fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura a atuação de uma organização suspeita de lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Segundo as informações da investigação, o grupo teria movimentado cerca de R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026. As apurações envolvem suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção, que ainda dependem de análise judicial e não representam condenação.
Canella recebeu 197.178 votos nas eleições de 2026, a segunda maior votação para deputado estadual no estado. Se continuar preso até o início da próxima legislatura, em fevereiro de 2027, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e a Justiça Eleitoral terão de definir como serão cumpridas as etapas de diplomação e posse.
Há um precedente no estado. Em novembro de 2018, os deputados estaduais reeleitos André Corrêa, Luiz Martins, Marcus Abrahão, Marcus Vinícius Neskau e Chiquinho da Mangueira foram presos na Operação Furna da Onça, que investigava suspeitas de corrupção envolvendo parlamentares.
Na ocasião, os cinco foram diplomados por procuração e a Alerj levou o livro de posse aos locais onde estavam detidos. O procedimento foi contestado pelo Ministério Público, e a posse acabou suspensa. Após decisões judiciais, incluindo uma manifestação da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, a Assembleia revogou as prisões preventivas no fim de 2019, e os deputados obtiveram o direito de assumir os mandatos em maio de 2020.
A situação eleitoral de Canella também é alvo de questionamento. O Ministério Público Eleitoral contestou o registro de candidatura, mas o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro liberou a candidatura. Essa discussão é independente da investigação criminal e pode ter desdobramentos próprios na Justiça Eleitoral.
A prisão preventiva, por si só, não significa perda do mandato nem anulação dos votos. A defesa de Canella afirmou que ele confia na Justiça e que os fatos serão esclarecidos.
Fonte: g1