A polícia britânica acelerou a prisão de Andrew Mountbatten-Windsor em 19 de fevereiro por temer que ele usasse o rei Charles 3º para impedir buscas em propriedades da família real e destruir provas de sua ligação com Jeffrey Epstein, segundo documentos obtidos pela BBC.
A Thames Valley Police solicitou mandados para revistar a Wood Farm, em Sandringham, e o Royal Lodge, em Windsor. Os investigadores temiam que Andrew ou seus advogados alegassem que a primeira propriedade pertencia ao rei, o que poderia exigir autorização legal adicional.
De acordo com os documentos, a polícia também receava que a demora permitisse a destruição de provas ou que a perda do elemento surpresa atraísse a imprensa e impedisse a conclusão das buscas.
Os agentes procuravam documentos, diários, registros comerciais e outros materiais relacionados ao período em que Andrew atuou como representante especial de Comércio e Investimento da Coroa. Computadores, celulares, tablets e outros equipamentos eletrônicos também estavam entre os itens de interesse.
As buscas ocorreram até 24 de fevereiro, segundo a BBC. Andrew foi ouvido na delegacia de Aylesham e liberado no mesmo dia, ainda sob investigação.
Os advogados de Andrew classificaram as justificativas policiais como especulativas e questionaram a legalidade dos mandados. Em uma audiência, a Thames Valley Police admitiu que a decisão inicial de emitir as ordens com base na legislação utilizada foi incorreta.
O juiz Hilliard afirmou que a anulação dos mandados não encerra a investigação nem significa que todo o procedimento tenha sido ilegal. Os materiais apreendidos permanecem com a polícia, e uma nova audiência deverá ocorrer em 2027 para decidir se poderão ser usados como prova.
Andrew nega participação em atividades criminosas relacionadas a Epstein, que morreu em 2019 enquanto aguardava julgamento nos Estados Unidos por acusações de estupro e tráfico sexual.
Fonte: O Globo