Pelo menos 40 influenciadores digitais do Ceará continuaram divulgando links de bets e cassinos virtuais no Instagram entre os dias 10 e 13 de outubro, mesmo após a proibição federal da exploração, oferta e publicidade dessas plataformas no Brasil.
A medida foi estabelecida pela Medida Provisória nº 1.394, publicada em 25 de setembro. Segundo a regra, também ficam proibidas ações de comunicação, propaganda, marketing e patrocínio relacionadas às apostas de quota fixa e aos jogos on-line, incluindo os chamados cassinos virtuais.
As plataformas deveriam ter deixado de funcionar no país a partir de 6 de outubro. A reportagem identificou divulgações explícitas em perfis abertos, muitos deles com milhares ou milhões de seguidores, incluindo links para jogos associados a mascotes como tigrinhos, coelhinhos e tourinhos.
Entre os perfis citados estão os de Nayara Souza, Italo Wendel, conhecido como Belo Belo, e Jéssica Santos, conhecida como Jessica Macaxeira. Os três têm mais de 1 milhão de seguidores, de acordo com o levantamento.
Jéssica Santos afirmou que tinha contratos em andamento e que os cumpriria até o fim, sem dar continuidade às divulgações depois disso. Ela também reconheceu os impactos dos jogos de apostas sobre pessoas e famílias e defendeu apoio psicológico e tratamento para quem enfrenta dependência.
Os outros dois influenciadores procurados não haviam respondido até a publicação da reportagem. A divulgação das plataformas não foi transformada em crime pela medida provisória, mas o texto considera proibida a publicidade e permite a aplicação de sanções administrativas com base no Código de Defesa do Consumidor.
Entre as possíveis consequências estão multas, retirada da publicidade ou do perfil, pedidos de indenização por danos e cobrança de tributos e penalidades, conforme avaliação de cada caso. O governo federal também enviou ao Congresso um projeto que prevê tornar crime a exploração e a publicidade de apostas, com penas de prisão e multa.
O Ministério da Fazenda informou que a Secretaria de Prêmios e Apostas monitora sites ilegais e encaminha endereços irregulares à Agência Nacional de Telecomunicações para bloqueio. A pasta acrescentou que a fiscalização de redes sociais e de aplicativos em lojas virtuais cabe ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Segundo o psicólogo Magnum Freire, a divulgação de plataformas ilegais pode ampliar os riscos à saúde mental dos apostadores, já que esses ambientes não oferecem necessariamente encaminhamento para canais de apoio ou tratamento. Para ele, a associação entre influenciadores e a promessa de ganhos rápidos pode estimular a imitação e criar uma percepção enganosa de sucesso financeiro.
Fonte: g1