O soldado André Coelho Maximo da Costa foi preso em flagrante na quinta-feira (15) após atirar e matar Camila Pereira da Silva, de 32 anos, durante uma ocorrência em Pirituba, na cidade de São Paulo. A mulher segurava uma faca e, segundo relatos, apresentava possível surto.
Imagens de uma câmera de segurança mostram Camila caminhando em direção a três policiais militares na Rua Coronel José Rufino Freire. Após alguns segundos, o soldado efetuou um disparo que atingiu a região torácica da mulher, que morreu no local.
O delegado responsável pelo registro avaliou que a reação policial foi desproporcional e que não houve uso progressivo da força. Segundo a análise registrada no boletim de ocorrência, Camila não teria feito movimento de ataque ou avançado de forma súbita no momento do disparo.
Antes do confronto, policiais da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam) haviam parado em uma oficina após uma pane em uma das motos. O ex-companheiro de Camila procurou a equipe e afirmou que ela o ameaçava com uma faca.
Em depoimento, o soldado afirmou que os policiais ordenaram que a mulher largasse a arma e recuaram para manter distância. Ele disse que esbarrou em um caminhão estacionado e que o fluxo de veículos dificultava a movimentação, avaliando que havia risco iminente quando fez o disparo.
A defesa, representada pelo advogado Mauro Ribas, afirmou que a prisão teve “cunho político e eleitoreiro”. Segundo o defensor, o policial seguiu os procedimentos operacionais da PM, acionou a Central de Operações da Polícia desde o início da ocorrência e só atirou quando não teria mais possibilidade segura de recuo.
Camila deixou duas filhas pequenas. Conforme depoimento da tia à polícia, ela enfrentava problemas graves de saúde, aguardava um transplante de fígado e fazia acompanhamento hospitalar semanal. A familiar disse não saber de diagnóstico de transtorno psiquiátrico.
A Secretaria da Segurança Pública informou que o policial foi encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que investiga o caso, e permanece preso no Presídio Militar Romão Gomes. Também foi instaurado um Inquérito Policial Militar, com acompanhamento da Corregedoria da PM.
A arma utilizada pelo policial foi apreendida e será periciada. A investigação deverá analisar as imagens, os depoimentos e as circunstâncias do uso da força.
O caso ocorre após outras duas ações da PM em São Paulo que terminaram com a morte de homens em supostos episódios de surto ou crise emocional. Segundo a reportagem, policiais dispararam 24 vezes contra Antonio Nunes Batista, em 3 de outubro, e 45 vezes contra Gustavo Munis de Santana, em 10 de outubro; os dois casos também são investigados.
Fonte: G1