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terça-feira, 20 de outubro de 2026

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JUSTIÇA

PF prende Márcio Canella em investigação sobre lavagem de dinheiro no RJ

PF prende Márcio Canella e o aponta como articulador político de grupo investigado por lavagem de dinheiro em postos no RJ.

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A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (15) o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, no Rio de Janeiro. Segundo a investigação, ele é apontado como articulador político de uma organização criminosa que usaria postos de combustíveis para lavar dinheiro.

Também foram presos o ex-chefe da Polícia Civil do Rio Marcus Amim e quatro inspetores da corporação. As prisões preventivas foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com a Polícia Federal, Canella faria a ligação entre agentes públicos, empresários e operadores de uma rede de postos. A investigação sustenta que ele teria usado influência política para favorecer nomeações e contratos públicos, além de proteger atividades atribuídas ao grupo.

Documentos apreendidos na casa do inspetor José Carlos Alves de Souza Júnior registraram valores destinados a pessoas identificadas pelos codinomes “Canela”, “JR” e “PR”. Os investigadores afirmam que “Canela” seria uma referência a Márcio Canella e apontam repasses de R$ 51 mil, R$ 31 mil e R$ 57 mil, este último associado ao codinome “Amigo”.

A PF também identificou cerca de R$ 2,59 milhões em créditos nas contas de Canella entre maio de 2025 e abril de 2026. Desse total, aproximadamente R$ 1,4 milhão teria sido transferido pela Brumar Empreendimentos e Participações, empresa da qual o político era sócio. Para os investigadores, a movimentação pode indicar tentativa de dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

Outra frente da apuração trata da indicação de Marcus Amim para a presidência do Detran-RJ e, depois, para a Secretaria de Polícia Civil. A PF afirma que Canella teria articulado uma alteração legislativa na Assembleia Legislativa do Rio para flexibilizar os requisitos de carreira exigidos para o comando da Polícia Civil.

Os investigadores apontam ainda que uma empresa ligada ao grupo teria feito pagamentos de R$ 1,821 milhão a uma consultoria de Amim e de sua mulher. A apuração também menciona um adiantamento de R$ 1,62 milhão para a compra de uma casa em Camboinhas, em Niterói, além de R$ 160 mil em espécie.

A representação da PF cita possíveis relações políticas com milicianos e uma interlocução entre um capitão da Polícia Militar e integrantes do Comando Vermelho. Segundo os investigadores, a negociação envolveria a retirada de barricadas para a realização de obras públicas e posterior retomada do controle territorial por traficantes. O documento, porém, não afirma que Canella tenha conversado diretamente com os chefes da facção.

A investigação também menciona a nomeação da mulher de Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura e apontado como liderança da milícia Somos Comunidade, para um cargo de assessora no gabinete parlamentar de Canella. Esses elementos são apresentados pela PF como indícios de relações políticas e institucionais, e não como condenação definitiva.

Segundo a apuração, os postos de combustíveis permitiriam misturar receitas legais e recursos ilícitos, além de envolver suspeitas de cartel, venda irregular de combustíveis e acesso antecipado a informações sobre fiscalizações. Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações de R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026 na rede de pessoas e empresas analisadas, valor que não corresponde necessariamente ao total de dinheiro lavado.

Canella já havia sido preso em julho, após a PF encontrar um fuzil em seu veículo durante uma operação de busca. Ele foi solto por decisão de Moraes três dias depois e teve as medidas cautelares revogadas em 23 de julho. A defesa informou que não se manifestará até ter acesso aos autos.

Fonte: G1

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