Um grupo investigado por suspeita de lavagem de dinheiro em uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro recebia antecipadamente informações sobre fiscalizações do Procon e de outros órgãos, segundo a Polícia Federal. Os avisos incluíam estabelecimentos-alvo, cronogramas, horários e até dados dos veículos usados pelas equipes.
As informações constam da representação que fundamentou a oitava fase da Operação Unha e Carne, deflagrada na quinta-feira (15). A ação levou à prisão do deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), do delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil, e de outros quatro investigados.
De acordo com a PF, os alertas eram repassados ao policial civil Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, pelo advogado Diogo Pacheco do Couto. Parte dos dados teria sido obtida com servidores ligados a órgãos de defesa do consumidor.
A investigação identificou mensagens trocadas entre abril e maio de 2026. Em um dos episódios, o grupo teria recebido o horário exato de início de uma fiscalização em São Gonçalo: 9h30. Também foram mencionados uma planilha com o cronograma semanal de inspeções e o documento do veículo utilizado pelos fiscais.
Segundo os investigadores, as fiscalizações verificavam, entre outros pontos, se o volume de combustível entregue pelas bombas correspondia à quantidade registrada. Para a PF, o acesso antecipado poderia permitir a ocultação de irregularidades e reduzir os efeitos das inspeções.
A representação aponta Canella como articulador político do grupo e Amim como responsável por oferecer proteção institucional às atividades investigadas. Pablo e José Carlos Alves de Souza Júnior são apontados como gestores de fato da rede de postos, embora várias empresas estivessem formalmente registradas em nome das mulheres dos dois.
A operação também apura suspeitas de corrupção e formação de cartel no setor de combustíveis. Um relatório de inteligência financeira citado pela Procuradoria-Geral da República reúne 2.171 comunicações de operações suspeitas, com movimentações estimadas em R$ 7,64 bilhões entre maio de 2020 e março de 2026; o valor não representa, necessariamente, dinheiro cuja lavagem já tenha sido comprovada.
A defesa de Marcus Amim informou que não se manifestará antes de ter acesso aos autos. A defesa de Márcio Canella afirmou que não comentaria o caso naquele momento porque ainda não havia recebido a decisão que determinou a prisão. A TV Globo tentou contato com os demais investigados.
Fonte: g1