Segundo a Polícia Federal, o deputado estadual Márcio Canella articulou, em 2023, uma alteração na legislação do Rio de Janeiro para viabilizar a nomeação do delegado Marcus Vinicius Amim Fernandes como secretário estadual de Polícia Civil. Os dois foram presos na quinta-feira (15), por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
A informação consta da representação policial que fundamentou a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização suspeita de lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis. De acordo com a PF, Canella também teria atuado para indicar Amim à presidência do Detran-RJ.
A mudança na Lei Orgânica da Polícia Civil flexibilizou o requisito de tempo de carreira para a escolha do secretário. Na época, Amim tinha 21 anos de atuação na corporação, mas 12 anos como delegado; a regra anterior exigia um período mínimo no cargo de delegado, enquanto a nova redação permitiu considerar o tempo total de serviço na instituição.
Para os investigadores, a influência sobre nomeações de cargos estratégicos integraria uma estrutura de proteção institucional do grupo investigado. A PF suspeita que Amim tenha mantido vínculos econômicos ocultos com integrantes da organização e aponta pagamentos de R$ 1,821 milhão à empresa MAMIM Consultoria, ligada ao delegado e à mulher dele, entre abril de 2024 e maio de 2026.
A investigação também apura possível favorecimento em contrato do Detran-RJ com uma empresa de serviços de reboque. Segundo a PF, a contratação teria ocorrido por dispensa de licitação considerada indevida pelos investigadores e envolvido uma empresa ligada ao irmão de um homem apontado como afilhado político e preposto de Canella.
A oitava fase da operação cumpriu seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão. Além de Canella e Amim, quatro policiais civis foram presos, enquanto a Justiça determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades de 112 empresas investigadas.
Segundo a PF, a organização teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões entre maio de 2020 e março de 2026, conforme relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Os investigados podem responder, conforme a participação atribuída a cada um, por crimes como organização criminosa armada, lavagem de dinheiro e corrupção.
As defesas de Canella e Amim informaram que não se manifestariam até terem acesso aos autos. As suspeitas ainda são investigadas e não representam condenação.
Fonte: g1