A cúpula da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo e da Polícia Militar se reúne nesta sexta-feira (16), na capital, para discutir a revisão dos protocolos de abordagem após três pessoas em possível surto morrerem em ações policiais em pouco mais de uma semana.
Participam do encontro o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, o secretário executivo da pasta, coronel Henguel Ricardo Pereira, e a comandante-geral da PM, coronel Glauce Anselmo Cavalli. A reunião deve tratar da atualização do Procedimento Operacional Padrão (POP), que orienta a atuação dos agentes em diferentes ocorrências.
Entre as medidas em avaliação está a compra de aproximadamente 6 mil armas de choque. Segundo as informações divulgadas, a PM paulista possui cerca de 11 mil equipamentos do tipo e pretende ampliar seu uso em situações que envolvam pessoas em crise emocional ou possível transtorno mental.
O POP prevê o uso progressivo da força e recomenda que armas de fogo sejam utilizadas apenas como último recurso. O protocolo também permite acionar equipes especializadas, familiares, profissionais de saúde, negociadores e apoio tático, de acordo com as circunstâncias.
Os três casos recentes foram registrados em 3, 10 e 15 de outubro. Antonio Nunes Batista, de 40 anos, morreu na Zona Norte após ser atingido por 24 disparos; a família informou que ele tinha esquizofrenia. Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, foi morto em Moema após policiais dispararem 45 vezes durante uma ocorrência relacionada a uma possível tentativa de suicídio.
No caso mais recente, Camila Pereira da Silva, de 32 anos, morreu após ser baleada no Parque São Domingos. Imagens mostram a mulher caminhando na direção de policiais com uma faca. O soldado André Coelho Maximo da Costa foi preso em flagrante por homicídio; segundo o registro da ocorrência, o delegado considerou a reação desproporcional. A defesa contestou a prisão, e os casos são investigados.
A Secretaria da Segurança também pretende consultar especialistas para aperfeiçoar a formação e o treinamento dos policiais. A proposta deverá ser elaborada com o comando da PM e posteriormente apresentada ao governador Tarcísio de Freitas.
Fonte: G1