Milhares de estudantes e professores protestaram nesta quinta-feira (15), em Buenos Aires e outras cidades da Argentina, para exigir que o governo do presidente Javier Milei cumpra a lei que atualiza o financiamento das universidades públicas.
Na capital, manifestantes entraram em confronto com policiais durante a marcha em frente ao Congresso. Dezenas de pessoas atiraram pedras, enquanto agentes usaram gás lacrimogêneo, segundo a agência France-Presse (AFP).
A mobilização ocorreu após dias de greve, protestos dentro das universidades e decisões judiciais que determinaram a aplicação da chamada Lei de Financiamento Universitário.
A norma prevê a reposição, pela inflação, das perdas salariais dos professores desde dezembro de 2023, além da recomposição das bolsas estudantis e dos recursos para o funcionamento das instituições.
Segundo estudo do Centro de Pesquisa em Economia Nacional da Universidade de Buenos Aires, os recursos destinados às universidades caíram 40,5% em termos reais no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2023.
A lei foi aprovada pelo Congresso em agosto de 2025, vetada por Milei e posteriormente ratificada pelo Parlamento em outubro do mesmo ano. O Executivo não a aplicou e recorreu de decisões judiciais que determinam o pagamento dos recursos.
O porta-voz presidencial, Adrián Ravier, afirmou na terça-feira (13) que não era verdade que a lei não estivesse sendo cumprida. Segundo ele, a aplicação está interrompida enquanto o governo recorre à Justiça.
O governo também argumenta que a legislação não indica a origem dos recursos para financiá-la. Esta foi a quinta marcha federal universitária desde o início do mandato de Milei, em dezembro de 2023.
A manifestação reuniu partidos de oposição, sindicatos, organizações sociais e aposentados. Os grupos também pediram a revogação de um megadecreto que elimina a restrição à venda de terras rurais a estrangeiros.
Fonte: O Globo