A Polícia Federal afirma que uma empresa do ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Marcus Amim e de sua mulher recebeu R$ 1,821 milhão de uma companhia investigada na Operação Unha e Carne. Segundo os investigadores, os pagamentos mensais poderiam disfarçar repasses por proteção e influência do delegado.
A investigação também identificou que o Posto Pendotiba adiantou R$ 1,62 milhão para a compra de uma casa de R$ 3,28 milhões por Amim, em Camboinhas, Niterói, na Região Metropolitana do Rio. O imóvel foi negociado em dezembro de 2024 e teve a compra efetivada em abril de 2025.
De acordo com a PF, os repasses para a Mamim Consultoria ocorreram entre abril de 2024 e maio de 2026, em valores próximos de R$ 70 mil por mês, pagos pela ADM Oil Prestadora de Serviços para Postos de Gasolina. A corporação também identificou outros R$ 394.658 transferidos pela J R Posto de Combustíveis à empresa.
Os investigadores afirmam que a ADM Oil funcionava como uma central de recebimento e distribuição de recursos da rede de postos. Para a PF, a consultoria poderia ter sido usada para dar aparência legal a pagamentos relacionados à suposta proteção institucional oferecida por Amim.
Documentos bancários citados na investigação indicam que, em 8 de abril de 2025, o Posto Pendotiba transferiu R$ 1,62 milhão aos antigos proprietários do imóvel. Em 7 de maio, o posto fez outro pagamento de R$ 1,5 milhão, descrito como garantia; posteriormente, R$ 1.511.654,98 foram devolvidos à empresa, segundo o relatório.
O Posto Pendotiba estava formalmente registrado em nome das mulheres dos policiais civis José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo. Os dois foram presos na quinta-feira (15), assim como Amim, o ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito Márcio Canella e outros dois inspetores.
A PF também aponta Amim como suposto sócio oculto da Gasmix Alcântara, ao lado dos irmãos Christiano e Giovanni Gaspar Fernandes, ambos policiais civis presos na operação. Anotações apreendidas e mensagens sobre obras na casa e multas de trânsito são citadas pelos investigadores como indícios de relações financeiras e de favorecimento dentro do grupo.
As prisões foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em desdobramento da Operação Unha e Carne. A ação incluiu 16 mandados de busca e apreensão em sete municípios fluminenses, além do bloqueio de bens e da suspensão das atividades de 112 empresas investigadas.
Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, a rede de pessoas e empresas analisada movimentou R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026. As defesas de Amim e Canella informaram que não se manifestariam antes de terem acesso aos autos.
Fonte: g1