A Sabesp registrou 23.724 furtos de hidrômetros no estado de São Paulo no primeiro semestre de 2026, média de 131 ocorrências por dia. O número representa alta de 74,7% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados 13.579 casos.
Na capital paulista, os furtos passaram de 6.447 para 10.206 ocorrências, aumento de 58,3%. Os registros foram distribuídos por 180 dos 376 municípios atendidos pela companhia.
Os maiores números absolutos fora da capital foram registrados em Guarulhos, com 1.068 casos; Osasco, com 974; Santo André, com 845; Carapicuíba, com 734; e Santana de Parnaíba, com 550. Em Barueri, as ocorrências subiram de 45 para 400, enquanto São Bernardo do Campo passou de 116 para 482.
O hidrômetro mede o consumo de água de imóveis e costuma ser instalado na entrada de residências e estabelecimentos comerciais. Quando é retirado, pode provocar vazamentos de até 100 litros por hora.
Segundo Luiz Renato Fraga Rios, diretor de proteção da receita da Sabesp, a companhia identificou em muitos casos pessoas em situação de vulnerabilidade que venderiam os equipamentos para obter dinheiro destinado à compra de drogas. Os aparelhos são feitos em grande parte de latão, liga que contém cobre e zinco, e podem ser encaminhados a ferros-velhos.
A Sabesp estima um custo médio de R$ 100 para repor cada hidrômetro furtado. Com base nos registros do primeiro semestre, o prejuízo direto da empresa se aproxima de R$ 2 milhões, sem contar o desperdício de água e possíveis interrupções no abastecimento.
A companhia informou que começou a substituir os medidores metálicos por modelos de material composto, sem valor relevante para a revenda ilegal. Desde 2025, também está em andamento a troca de 4 milhões de equipamentos por hidrômetros inteligentes, equipados com localizador, em São José dos Campos e na cidade de São Paulo.
Em caso de furto, a Sabesp tem prazo regulatório de até 48 horas para substituir o equipamento. O cliente não paga pela reposição quando registra boletim de ocorrência, e a cobrança do consumo é calculada pela média histórica enquanto o imóvel permanece sem medidor.
A Secretaria da Segurança Pública afirmou que as polícias Civil e Militar atuam de forma integrada contra crimes patrimoniais. Segundo a pasta, as ações buscam alcançar também compradores, responsáveis pela descaracterização e comerciantes dos materiais; em São João da Boa Vista, cinco pessoas foram presas em um ferro-velho clandestino com metais e objetos reconhecidos por representantes da Sabesp.
Fonte: g1