O governo da Costa Rica inaugurou nesta quarta-feira, 14 de outubro, o Centro de Alta Contenção do Crime Organizado, penitenciária com capacidade para 5,1 mil detentos. A unidade integra a estratégia de combate ao crime organizado por meio do encarceramento e foi inspirada no modelo adotado por El Salvador.
Com custo estimado em US$ 34 milhões, a prisão ocupa 31 mil m² e poderá receber o equivalente a cerca de 20% da atual população carcerária costarriquenha. As primeiras transferências devem ocorrer até o fim de outubro.
Durante a inauguração, a presidente Laura Fernández afirmou que a instalação representa um novo modelo de rigor no combate ao crime e disse que a Costa Rica poderá se tornar uma referência global em segurança prisional.
A construção segue o modelo do Centro de Confinamento do Terrorismo, conhecido como Cecot, em El Salvador. A legislação costarriquenha, porém, prevê que os detentos tenham acesso à luz do dia, exercícios ao ar livre, um telefonema semanal e visitas. Eles usarão uniformes sem bolsos e não terão rádio nem televisão.
A unidade será destinada inicialmente a presos considerados perigosos e ligados a organizações criminosas. A inauguração ocorre enquanto a população carcerária do país supera 21 mil pessoas, alta de 42% desde 2022, segundo o governo.
A Costa Rica registrou 873 homicídios em 2025, número inferior ao de anos anteriores, mas acima dos padrões históricos do país. O aumento da criminalidade é associado à atuação de organizações ligadas ao narcotráfico.
Fernández declarou admiração pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, cuja política de repressão ao crime tem o Cecot como principal símbolo. A prisão salvadorenha, com capacidade para 40 mil pessoas, foi alvo de denúncias de abusos, torturas, detenções ilegais e mortes.
Na sexta-feira, 16 de outubro, Fernández deverá visitar El Salvador e conhecer o Cecot. Costa Rica e El Salvador também integram o Escudo das Américas, aliança liderada pelos Estados Unidos para combater o narcotráfico na região.
Fonte: O Globo