O tenente-coronel Geraldo Neto negou ter matado a esposa, a soldado da Polícia Militar Gisele, e voltou a sustentar que a morte foi um suicídio durante interrogatório exibido pelo Fantástico nesta quarta-feira (14).
Preso preventivamente, o oficial apresentou uma versão em que Gisele aparece como agressiva no relacionamento. Ele afirmou que nunca praticou violência contra a policial e contestou mensagens e áudios usados pela acusação.
Segundo o relato apresentado no programa, a audiência durou mais de oito horas e ocorreu antes da decisão judicial sobre a possibilidade de o caso ser levado a júri popular. A defesa sustenta a inocência do tenente-coronel.
Durante o depoimento, Geraldo Neto afirmou que a imagem pública da mulher, descrita por familiares e conhecidos como simpática e sorridente, não corresponderia ao comportamento dela em casa. Ele relatou supostos episódios de agressividade e disse que, em uma situação semelhante envolvendo um homem, ele seria considerado vítima.
A acusação rejeita essa versão. O advogado da família de Gisele afirmou que o oficial tenta construir uma imagem negativa da policial para afastar a responsabilidade pela morte.
Promotores apresentaram na audiência um áudio enviado por Gisele 12 dias antes da morte. Na gravação, segundo o programa, ela relata ter sido agredida durante uma discussão; Geraldo Neto negou a acusação e disse acreditar que a mensagem poderia ter sido manipulada pela esposa.
Também foram discutidas mensagens recuperadas do celular da policial, incluindo uma conversa sobre autoridade e submissão no casamento. O tenente-coronel negou ser o autor do texto atribuído a ele.
A versão do oficial contrasta com três laudos da Polícia Técnica citados na reportagem. De acordo com os documentos, a hipótese de suicídio foi descartada, e os peritos apontaram que Gisele teria sido abordada por trás, imobilizada e atingida por um disparo à queima-roupa.
Os laudos também mencionam marcas de dedos no queixo da vítima e vestígios de sangue encontrados no banheiro, em uma toalha e na bermuda usada por Geraldo Neto. A Justiça ainda deverá decidir se ele responderá à acusação de feminicídio perante um júri popular.
Fonte: g1 Fantástico