O ator americano RJ Mitte, conhecido por interpretar Walter White Jr. na série Breaking Bad, morreu na segunda-feira (12), no Texas, aos 34 anos. Segundo seus representantes, ouvidos pela Reuters, a morte foi um suicídio.
Mitte nasceu em Jackson, no Mississippi, e sofreu uma lesão cerebral ao nascer. Diagnosticado com paralisia cerebral leve aos três anos, ele levou parte de sua experiência para o personagem Walt Jr., conferindo autenticidade à representação da deficiência na televisão.
Na série, Walt Jr. é filho do professor de química Walter White, interpretado por Bryan Cranston. A trama acompanha a entrada do personagem no tráfico de metanfetamina após receber um diagnóstico de câncer e mostra o distanciamento progressivo entre pai e filho.
O papel de Mitte ganhou relevância por apresentar um personagem com paralisia cerebral cuja história não se limitava à deficiência. Para Emma Livingstone, fundadora da organização britânica UP-The Adult Cerebral Palsy Movement, essa representação ajudou a ampliar a percepção sobre as possibilidades de pessoas com deficiência na televisão.
Fora das telas, Mitte defendeu os direitos das pessoas com deficiência e foi embaixador da organização United Cerebral Palsy. Ele também criou a Fundação Mitte, voltada ao apoio de iniciativas comunitárias no Texas.
A atriz Ruth Madeley, que tem espinha bífida, afirmou à BBC que a presença de Mitte na televisão foi importante para jovens que consideravam seguir carreira nas artes. O ator Keron Day, de Sex Education, também associou o legado de Mitte à ampliação das oportunidades profissionais para pessoas com deficiência na indústria criativa.
A paralisia cerebral reúne condições que afetam movimento e coordenação e pode resultar de lesões ou alterações no desenvolvimento do cérebro antes, durante ou pouco depois do nascimento. Os sintomas variam entre as pessoas e podem incluir dificuldades motoras, de fala, visão e aprendizagem.
A condição não tem cura, mas tratamentos como fisioterapia, terapia ocupacional e terapia da fala podem ajudar na autonomia e na qualidade de vida. Estimativas citadas pela BBC indicam que mais de 17 milhões de pessoas vivem com paralisia cerebral em todo o mundo.
Fonte: g1