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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

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Leão XIV não tem substituto automático durante internação

A internação de Leão XIV expõe a falta de regras claras sobre quem exerce as funções do papa em caso de incapacidade temporária.

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O Papa Leão XIV foi internado na terça-feira (13), no Hospital Gemelli, em Roma, após passar por uma cirurgia para remover um nódulo no pulmão. O procedimento confirmou um adenocarcinoma pulmonar, e parte do pulmão direito foi retirada.

Segundo o Vaticano, a cirurgia terminou sem complicações. Nesta quarta-feira (14), o pontífice caminhou pelo quarto, fez fisioterapia respiratória e retomou a alimentação regular. A recuperação ocorre dentro do esperado, de acordo com os médicos.

A internação não altera a posição de Leão XIV na hierarquia da Igreja Católica. O direito canônico não prevê um substituto automático para o papa em casos de doença, inconsciência ou incapacidade temporária.

Na prática, a Cúria Romana mantém as atividades administrativas por meio de seus dirigentes e funcionários. Decisões que dependem diretamente do pontífice, porém, podem permanecer pendentes até sua recuperação.

O Código de Direito Canônico estabelece procedimentos para a morte ou a renúncia de um papa, mas não define como deve ocorrer a transferência de responsabilidades em caso de incapacidade prolongada. O cânone 335 determina que nada seja modificado no governo da Igreja quando a Santa Sé estiver vacante ou completamente impedida, sem detalhar como esse impedimento deve ser reconhecido.

Especialistas em direito canônico já discutiram propostas como uma declaração formal da Santa Sé, a atribuição de determinadas tarefas ao Colégio dos Cardeais e avaliações médicas periódicas. Essas possibilidades não são regras atualmente em vigor.

Em 1965, Paulo VI escreveu ao decano do Colégio dos Cardeais que deveria ser considerado renunciado caso ficasse incapacitado. Em 2022, Francisco revelou ter assinado uma carta de renúncia no início do pontificado para ser usada em caso de incapacidade médica.

Em situações de morte ou renúncia, a Igreja entra no período de sede vacante. O camerlengo da Santa Igreja Romana supervisiona determinadas atividades administrativas durante a transição, mas não assume o comando da Igreja quando o papa está hospitalizado.

Leão XIV deve permanecer internado por cerca de uma semana, e seus compromissos foram cancelados até 20 de outubro. O Vaticano aguarda novos exames para verificar se a doença se espalhou.

Fonte: O Globo

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