O farmacêutico e professor Paulo Arrais alertou, em entrevista ao g1 Ceará, que recomendações de medicamentos, vitaminas e suplementos feitas por influenciadores digitais podem estimular a automedicação e o uso indevido de substâncias.
Segundo Arrais, os criadores de conteúdo não conhecem as condições de saúde, os hábitos e as necessidades individuais de cada seguidor. Por isso, um produto utilizado por uma pessoa pode ser inadequado ou oferecer riscos a outra.
O professor também chamou atenção para o uso de medicamentos com finalidade estética ou de emagrecimento. A prática pode causar efeitos adversos e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.
Entre os riscos da automedicação estão intoxicações, interações entre remédios, reações alérgicas e problemas provocados pelo uso incorreto da dose, do tempo de tratamento ou da forma de administração.
O uso prolongado de analgésicos e anti-inflamatórios também pode causar danos, incluindo problemas renais. Arrais orientou que dores persistentes sejam investigadas, em vez de tratadas repetidamente por conta própria.
O farmacêutico ainda alertou para o autodiagnóstico feito com pesquisas na internet ou ferramentas de inteligência artificial. Segundo ele, esses recursos não realizam exame físico nem fazem uma investigação clínica completa, e as respostas dependem da forma como os sintomas são descritos pelo usuário.
Guardar sobras de medicamentos em casa é outro fator de risco, especialmente quando a pessoa interrompe um tratamento e reutiliza o produto posteriormente sem avaliação. O armazenamento inadequado, como em locais úmidos, também pode comprometer a conservação dos remédios, enquanto o acesso de crianças pode provocar intoxicações acidentais.
Mesmo medicamentos vendidos sem receita devem ser usados com orientação. O farmacêutico pode esclarecer dúvidas sobre dose, duração, contraindicações, interações e forma de administração, além de indicar quando é necessário procurar um médico.
Paulo Arrais integra o Grupo de Prevenção ao Uso Indevido de Medicamentos da Universidade Federal do Ceará (UFC). O grupo mantém um Centro de Informação sobre Medicamentos, que, conforme informado na entrevista, atende pelo telefone (85) 3366-8293.
Fonte: g1 Ceará