O Comitê Olímpico do Brasil (COB) entregará ainda nesta semana aos comitês de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) um plano com propostas para o esporte, antes do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro de 2026.
Segundo o presidente do COB, Marco La Porta, a iniciativa busca reforçar a importância da área, que, na avaliação da entidade, não aparece como prioridade nas campanhas. O comitê teme que o Ministério do Esporte volte a ser uma Secretaria Especial ou perca relevância na estrutura do governo.
A preocupação se baseia na reorganização promovida pelo governo Jair Bolsonaro, quando o Ministério do Esporte foi incorporado ao Ministério da Cidadania. La Porta afirmou que a entidade não quer a extinção da pasta e defendeu um ministério com protagonismo, planejamento e recursos não contingenciados.
Flávio Bolsonaro já declarou que pretende reduzir o número de ministérios e cargos comissionados, mas não especificou quais pastas seriam afetadas. Em uma transmissão ao vivo, afirmou que o Ministério do Esporte será um dos principais de seu eventual governo.
Em nota, a campanha de Flávio disse que a redução do número de ministérios faz parte do plano de governo e que nenhum ministério essencial será extinto. Segundo o comunicado, a estrutura do governo será analisada durante a transição e ao longo da gestão.
O plano do COB foi elaborado com a participação de entidades, comitês e representantes do setor. Entre as propostas estão a manutenção do Ministério do Esporte, a implementação do Plano Nacional do Esporte, o fortalecimento do Bolsa Atleta e o aperfeiçoamento dos incentivos tributários para o desenvolvimento esportivo.
O documento também cita dados do Vigitel 2024, segundo os quais 42,3% dos adultos das capitais brasileiras atingem os níveis recomendados de atividade física no tempo livre. La Porta defendeu que o esporte seja tratado como política de Estado, relacionado a áreas como saúde, educação e segurança.
O dirigente mencionou o programa Revelar Talentos, lançado em abril de 2024, como exemplo de política que depende de continuidade. De acordo com ele, o projeto contempla cinco confederações, mas nenhuma recebeu, até o momento, os recursos previstos para 2026.
Criado em 1995, o Ministério do Esporte passou por fusões e recriações ao longo dos anos. A pasta foi separada do Ministério do Turismo em 2003 e voltou a ter estrutura própria no atual governo, que também a desvinculou do Ministério da Cidadania.
Entre as medidas recentes relacionadas ao setor estão a Nova Lei de Incentivo ao Esporte, a Lei Geral do Esporte e a Lei da Copa do Mundo Feminina. O orçamento do Ministério do Esporte para 2026 é de R$ 2,5 bilhões.
Fonte: O Globo