O canal de WhatsApp "Exército do Lula", administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), continuava fora do ar nesta quarta-feira (14), durante a votação da proposta que prevê o fim da escala 6x1. A medida é tratada pelo PT como uma aposta para dar novo impulso à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Com mais de 4 milhões de seguidores, a lista de transmissão foi suspensa na noite de terça-feira, após o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinar que a ferramenta fosse registrada em até 48 horas como endereço oficial de comunicação da campanha.
A equipe de Flávio Bolsonaro (PL) havia apresentado uma ação contra o canal, alegando a divulgação de notícias falsas. O senador, que inicialmente era contrário ao fim da escala 6x1, passou a declarar apoio à proposta.
O caso provocou decisões divergentes entre Nunes Marques e o ministro Ricardo Cueva. Cueva havia restabelecido o serviço e defendido a análise do tema pelo plenário do TSE, mas Nunes Marques invalidou a decisão e voltou a suspender o canal.
O presidente do TSE afirmou que Cueva extrapolou suas atribuições ao interferir em uma decisão da Presidência da Corte. Advogados especializados em direito eleitoral, por outro lado, avaliaram que a suspensão integral da lista, em vez da retirada de publicações específicas, poderia configurar censura prévia.
O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que a legenda e Janones pediram à Justiça Eleitoral a desvinculação entre o canal e a campanha de Lula. Segundo ele, a iniciativa deve ser mantida como instrumento autônomo de organização da sociedade.
Lula criticou a suspensão durante um ato de campanha e disse que não havia ilegalidade comprovada no funcionamento do canal. Janones também afirmou que a interrupção por 48 horas coincidia com o período da votação da proposta sobre a escala 6x1.
Fonte: O Globo