A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou parlamentares aliados a explorar, na votação sobre o fim da escala 6x1 no Senado nesta quarta-feira (14), a mudança de posição do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o tema.
Flávio se declarou contrário ao projeto durante a campanha eleitoral, mas afirmou na terça-feira (13) que votará a favor do texto, que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais.
A aprovação da proposta é uma das apostas de Lula para tentar reverter a vantagem e vencer Flávio no segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.
Em reunião com partidos aliados na terça-feira, o presidente do PT, Edinho Silva, pediu que senadores e deputados impeçam o bolsonarismo de inverter a narrativa sobre a pauta e obter ganhos políticos, como, segundo governistas, ocorreu na votação da Câmara dos Deputados, em maio.
Na ocasião, o PL apresentou uma proposta de escala 4x3 ao identificar que o fim da jornada 6x1 seria aprovado na Câmara. Aliados de Lula avaliam que o grupo de Flávio poderá tentar capitalizar politicamente a votação às vésperas do segundo turno.
A orientação aos senadores é que resgatem declarações anteriores de Flávio e afirmem que a mudança ocorreu por “oportunismo eleitoral”. Em maio, o senador classificou o fim da escala 6x1 como “inoportuno e eleitoreiro”, criticou a “grande carga de hipocrisia” no debate e alertou para o risco de “desemprego em massa”.
No fim de agosto, Flávio passou a defender que os trabalhadores tivessem liberdade para escolher e negociar a própria jornada. “Nós vamos fazer muito melhor para os trabalhadores brasileiros. Nós vamos trabalhar pela liberdade, para que o trabalhador brasileiro possa escolher a sua própria carga de horário, como é que vai trabalhar”, afirmou.
A campanha de Lula também pretende associar a proposta ao presidente e dizer que ela melhorará a qualidade de vida dos trabalhadores. Aliados consideram positivo que Flávio esteja em agenda de campanha em Porto Alegre e não participe presencialmente da votação; caso vote, deverá fazê-lo de forma remota.
Participaram da reunião dirigentes de PSB, PCdoB e PSOL, além de ex-ministros de Lula que representam o Centrão, como o senador eleito André Fufuca (PP-MA) e os deputados reeleitos Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) e Juscelino Filho (PSDB-MA). Representantes da ala lulista do MDB também estiveram presentes, entre eles os senadores Renan Filho (AL), Veneziano do Rêgo (PB), Jader Barbalho (PA) e Marcelo Castro (PI).
Fonte: O Globo