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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

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Jornal Diário do Povo

JUSTIÇA

MP pede apuração após tenente-coronel acusado de matar PM ofender testemunhas

MP pede apuração de declarações feitas por tenente-coronel réu pela morte da esposa, a soldado Gisele Alves, durante interrogatório em SP.

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O Ministério Público pediu à Justiça de São Paulo que encaminhe à Corregedoria da Polícia Militar e comunique às pessoas citadas as declarações feitas pelo tenente-coronel Geraldo Neto durante interrogatório realizado em 5 de outubro. Preso preventivamente e réu por feminicídio e fraude processual pela morte da esposa, a soldado Gisele Alves, ele criticou a roupa da vítima e fez acusações contra familiares, testemunhas, policiais e peritos.

Durante mais de oito horas de depoimento, Geraldo sustentou que Gisele morreu por suicídio em 18 de fevereiro, no apartamento do casal. A versão é contestada pelo Ministério Público e por laudos do Instituto de Criminalística, que, segundo a acusação, apontaram ser impossível que a soldado tivesse tirado a própria vida diante dos elementos periciais encontrados no local.

Ao relatar uma discussão ocorrida cinco dias antes da morte, o tenente-coronel afirmou que Gisele usou um vestido curto para chamar a atenção de motoboys em frente ao prédio onde moravam. O advogado da família, José Miguel da Silva Júnior, contestou a declaração e disse que o comentário tentou desqualificar a vítima.

Geraldo também afirmou que a esposa era agressiva, quebrava objetos e tinha problemas psiquiátricos. Ele acusou os pais de Gisele, o ex-marido dela, amigas, uma testemunha protegida e integrantes da Polícia Militar, além de questionar a atuação de investigadores, peritos e a análise de celulares apreendidos.

As acusações apresentadas pelo réu não foram reconhecidas como fatos no processo. A promotora Ingrid Bertolino Braido pediu que as pessoas mencionadas sejam formalmente informadas sobre o conteúdo do interrogatório, inclusive para que avaliem eventuais medidas por injúria, calúnia ou difamação.

O Ministério Público também solicitou que a Corregedoria da PM analise as declarações feitas contra oficiais da corporação e avalie a adoção de medidas administrativas. Até o momento, a Justiça não havia decidido sobre o pedido.

A defesa de Geraldo pediu a revogação da prisão preventiva e afirmou acreditar que o caso não será encaminhado ao Tribunal do Júri. A Justiça aguarda as manifestações do Ministério Público e da assistência de acusação antes de decidir se o réu será submetido a julgamento popular.

Fonte: g1

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