Gustavo Muniz de Santana, de 20 anos, morreu após ser atingido por 27 disparos feitos por quatro policiais militares durante uma abordagem na madrugada de sábado (10), em Moema, na Zona Sul de São Paulo.
Imagens de câmeras de segurança mostram o jovem chegando à calçada de um estabelecimento e tentando se proteger junto à parede. Em seguida, ele coloca as mãos na cintura, pega um celular com as duas mãos e o aponta na direção dos policiais. Segundo o boletim de ocorrência, os agentes confundiram o aparelho com uma arma de fogo.
Os policiais haviam sido acionados pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) após uma informação de que uma pessoa estaria tentando cometer suicídio. Ao todo, os agentes efetuaram ao menos 44 disparos, e as imagens indicam que Gustavo foi atingido também quando já estava no chão.
A família contesta a versão de que o jovem ameaçava tirar a própria vida. A advogada Ana Facíllia Meira afirmou que Gustavo fazia tratamento para depressão, mas que não tinha histórico de tentativas de suicídio, automutilação ou surtos psicóticos, segundo os familiares.
Especialistas ouvidos pela reportagem questionaram a quantidade de disparos e defenderam a apuração do uso progressivo da força. A Polícia Militar afastou os quatro agentes das atividades operacionais no domingo (11), após analisar imagens das câmeras corporais.
O caso é investigado pela Polícia Civil, por meio do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), e pela própria Polícia Militar, que instaurou um Inquérito Policial Militar. A Secretaria da Segurança Pública informou que não tolera desvios de conduta e que eventuais irregularidades serão punidas.
Fonte: G1