O brasileiro Andros Garcia Maldaner, de 40 anos, está detido há cerca de dois meses em um centro de imigração na Flórida, nos Estados Unidos, depois de ser acusado por um policial de dirigir sob efeito de álcool. Ele afirma que mantinha situação migratória regular e nega ter cometido a infração.
Maldaner, que vive nos Estados Unidos desde 2018 e trabalha no Morgan Stanley, foi abordado em 30 de julho, quando voltava do trabalho para casa. Segundo o relato policial divulgado pela imprensa local, ele dirigia em zigue-zague, não teria obedecido imediatamente à sirene e bateu na viatura ao manobrar o carro.
Ainda conforme o registro citado pelo Tampa Bay News, o policial relatou ter encontrado uma garrafa de tequila e medicamentos no veículo. O teste do bafômetro teria indicado concentração de álcool entre 0,230 e 0,221, acima do limite legal da Flórida.
À família e ao g1, o brasileiro disse que não estava embriagado, que passou mal após tomar medicação e que não se recorda de ter realizado o teste. Ele também afirmou que foi encaminhado diretamente ao Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos, o ICE, sem passar por uma prisão comum onde pudesse contestar a acusação criminal.
Maldaner declarou que estava nos Estados Unidos inicialmente com visto e autorização de trabalho e que depois entrou em processo para obter o green card. Ele afirma não ter antecedentes criminais e sustenta que a abordagem policial resultou de preconceito contra imigrantes.
Detido em uma unidade com mais de 1.200 pessoas, o brasileiro relatou problemas de saúde, falta de acesso a medicamentos para ansiedade, depressão e síndrome do pânico e condições precárias de acomodação. As acusações e as condições descritas por ele não foram apresentadas, no relato publicado, como fatos reconhecidos por decisão judicial.
Maldaner protocolou de próprio punho um pedido de habeas corpus. Segundo a reportagem, um juiz da Flórida deu 30 dias para que o ICE se manifeste sobre a continuidade da detenção.
O Ministério das Relações Exteriores informou que tem ciência do caso e permanece à disposição para prestar assistência consular quando solicitada. O órgão afirmou que o atendimento depende, em regra, de contato do cidadão ou de sua família e segue a legislação brasileira e internacional.
Fonte: g1